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Aparelho digestório

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Órgãos principais do aparelho digestivo.

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Destaques

Transcrição

Você sabia que não há apenas uma, mas duas superfícies externas que nossos corpos precisam proteger? A primeira, é claro, é a nossa pele, com a qual todos somos familiarizados.

A segunda frequentemente não é considerada uma superfície externa por muitas pessoas, mas acredite ou não, o interior do trato digestivo na verdade é o lado de fora dos nossos corpos. Pense nele assim.

O nosso corpo é construído na prática como uma grande rosquinha de padaria. Sim, eu disse rosquinha. Em sua forma mais simples, pense no nosso trato
digestivo como uma longa passagem externa ou túnel de 9 metros, que cursa diretamente através do nosso corpo, começando na boca e terminando na outra extremidade, no ânus.

Entretanto, só por que os alimentos passam dentro deste túnel não significa que eles passem no interior do nosso corpo. Na verdade ele é mantido do lado de fora intencionalmente.

É claro que é tudo um pouco mais complicado do que isso, ou então ao comer ou beber algum líquido ele cairia diretamente do outro lado praticamente no mesmo momento que o colocassemos na boca, não é? Mas isso não acontece, é claro, por que o trato digestivo é um sistema especializado, constituído em diferentes órgãos em sequência, que são adaptados para desempenhar uma função em particular que é importante para o processo da digestão.

Nesta videoaula nós iremos discutir o trato digestivo literalmente do início ao fim, especificamente os órgãos do sistema digestivo e os órgãos acessórios. Então não vamos perder tempo e começar a explorar o sistema digestivo. Primeiro vamos nos perguntar a questão óbvia, por que nós comemos?

A resposta simples, é claro, é que nós comemos para sobreviver. Mas o que isso significa, e porque nós digerimos a comida que nós ingerimos? Bem, nossos corpos precisam de energia para desempenhar todas as funções normais do corpo, como a respiração, circulação sanguínea, limpeza dos metabólitos do nosso corpo, e assim por diante; e nós obtemos esta energia a partir dos alimentos.

A comida que nós comemos é constituída em macromoléculas complexas. Por exemplo, carne, de maneira simplificada, é composta principalmente de proteína e gorduras, enquanto o pão contém amido e outros carbohidratos.
Quando nós ingerimos alimentos, o nosso corpo tenta quebrar as macromoléculas, que são muito grandes ou complexas para os nossos corpos absorverem ou processarem de maneira adequada em moléculas menores, como aminoácidos, ácidos graxos ou açúcares.

Estas moléculas menores podem ser absorvidas mais facilmente pelo corpo para obtenção de energia, bem como para adquirir os componentes necessários para o crescimento e reparo celular. Todo o processo da digestão pode ser resumido como ingestão de alimentos ou líquidos, propulsão do alimento ao longo do trato digestivo, digestão, ou quebra do alimento ingerido, seja de forma mecânica ou química, absorção dos nutrientes e água para fornecer energia ao corpo e, finalmente, eliminação dos produtos metabólitos.

Então vamos dar uma olhada no canal alimentar.

O canal alimentar, também conhecido como trato gastrointestinal ou trato digestivo, é a parte do sistema digestivo que está a todo momento em contato
direto com o bolo alimentar - o alimento que é ingerido. Ele é constituído em vários órgãos, todos os quais serão discutidos nesta videoaula.

Nós vamos olhar ainda nos órgãos conhecidos como órgãos acessórios, que são indiretamente envolvidos no processo da digestão. Eles não mantém contato direto com o bolo alimentar, entretanto eles são ativos no processo digestivo, e afetam o bolo alimentar indiretamente. Mas vamos falar mais disso daqui a pouco.

Vamos começar do início do canal alimentar, no lugar em que o alimento começa a sua jornada - a cavidade oral própria, também conhecida como boca - e ela é a abertura ou entrada do canal alimentar.

Quando nós falamos sobre a cavidade oral, estamos nos referindo aos lábios, os dentes e os dois terços anteriores da língua, até um ponto conhecido istmo das fauces, que constitui o seu limite posterior. Nem preciso dizer que quando nós colocamos alimentos nas nossas bocas ele é fisicamente quebrado através da mastigação, um processo conhecido por todos nós, nerds da anatomia, que representa nada mais do que a quebra física dos alimentos.

A digestão química também já começa neste ponto, através de enzimas presentes na nossa saliva, que dão os primeiros passos na quebra de moléculas complexas de carbohidratos em outras mais simples. E este é o primeiro passo no processo da digestão.

A saliva secretada na boca ou cavidade oral é produzida pelas glândulas salivares, que são órgãos digestivos acessórios, mas nós vamos falar sobre elas daqui a pouco. Por agora, vamos seguir o bolo alimentar amassado, conhecido como bolus, conforme ele segue seu caminho através do trato digestivo.

O próximo passo ao longo do canal alimentar é a faringe, vista aqui destacada em verde, e conhecida em termos leigos simplesmente como garganta. A faringe é um tubo de aproximadamente 12,5 cm que cursa da cavidade nasal e cavidade oral até a parte superior do esôfago e do trato respiratório.

Quando nós abrimos bem a nossa boca nós somos capazes de ver parte da parede posterior da faringe logo posteriormente ao istmo das fauces que nós descrevemos antes. A faringe conecta a cavidade oral própria ao esôfago para a transmissão do bolus ao longo do trato digestivo após a mastigação - ou seja, quando o bolo alimentar é deglutido.

Outra importante função da faringe é que ela conecta a cavidade nasal à laringe, e subsequentemente à traqueia para a passagem do ar para dentro e para fora dos pulmões. A faringe pode ser anatomicamente dividida em
três regiões - a nasofaringe, a orofaringe e a laringofaringe.

Nós não vamos discutir a nasofaringe hoje, já que ela não faz parte do trato digestivo, mas nós vamos estudar a orofaringe e a laringofaringe. Tenha em mente que a nasofaringe consiste na parte superior da faringe, se estendendo do fórnix da cavidade nasal até o palato mole da cavidade oral.

A orofaringe é a segunda parte da faringe, e você pode vê-la destacada aqui em verde. Situando-se entre a nasofaringe superiormente e a laringofaringe inferiormente, a orofaringe pode ser vista bem facilmente quando a boca
está bem aberta. Se você se lembra, nós vimos esta imagem mais cedo, e falamos sobre a parede posterior da faringe.

E o que nós podemos ver, para sermos mais precisos, é a parede posterior da orofaringe. Se nós observarmos a faringe de um ponto de vista posterior, nós podemos ter uma ideia melhor de onde a orofaringe se inicia e termina, e você
pode ver nesta imagem que a parede posterior da faringe foi removida, nos permitindo vê-la por trás.

Você pode ver a área da orofaringe destacada em verde, e aqui você pode ainda ver o terço posterior da língua, que pode ser usado como uma referência anatômica para esta parte da faringe.

Situada inferiormente à orofaringe encontra-se a parte final da faringe, conhecida como laringofaringe, e esta porção da faringe também é conhecida como a hipofaringe, e se inicia aproximadamente ao nível do osso hioide, e é contínua com a orofaringe superiormente, que nós vimos antes, e com a laringe e com o esôfago inferiormente, terminando mais ou menos ao nível da cartilagem cricoide.

Observando esta imagem à direita nós estamos vendo a faringe novamente de um ponto de vista posterior, com todas as estruturas posteriores do pescoço, como a parede posterior e as vértebras removidas, e nós podemos ver que ela é coberta por uma membrana mucosa, e identificamos ainda a abertura para a laringe, bem como a epiglote.

A laringofaringe serve como passagem tanto para o bolo alimentar quanto para o ar, e é a epiglote que possui um importante papel em guiar o ar corretamente para a laringe e os alimentos para o esôfago. Então, continuando distalmente para o esôfago, destacado em verde.

O esôfago é basicamente um longo tubo fibromuscular, medindo aproximadamente 23 a 27 centímetros de comprimento, com cerca de dois centímetros de diâmetro. Ele se estende da faringe até o estômago, cursando inferiormente através do tórax no mediastino posterior, e passando através do diafragma
através do hiato esofágico, para atingir o estômago na cavidade abdominal.

O esôfago não se envolve na digestão do bolus que o atravessa, mas sim na sua propulsão ao longo do canal alimentar, o que significa que seu único propósito é o de transmitir o bolo alimentar e os líquidos da faringe ao estômago, para que o processo de digestão continue.

As fibras musculares do esôfago contraem e relaxam para transmitir o bolo alimentar inferiormente por este tubo até o estômago, em um processo conhecido como peristalse. Devemos mencionar que apesar de o esôfago ser um longo tubo muscular, ele pode ser dividido anatomicamente em três partes - a
parte cervical, a parte torácica, e a parte abdominal.

A próxima parada do bolo alimentar ao longo do trato digestivo é o estômago, e aqui nesta ilustração você pode ver parcialmente o estômago destacado em verde, mas a nossa vista está ligeiramente obstruída pelos órgãos adjacentes.

Para uma melhor visão do estômago, vamos remover todos os órgãos e tecidos adjacentes e focar especificamente no estômago. A parede do estômago é constituída em três camadas de músculo liso, cursando nas direções longitudinal, transversa e oblíqua.

Além disso, o estômago pode ainda ser dividido anatomicamente em quatro regiões. A cardia situa-se logo inferiormente ao diafragma, após o término do esôfago, e aqui nós encontramos a junção gastroesofágica e o orifício da cardia, através do qual o alimento do esôfago entra no estômago. O fundo do estômago é uma parte com forma de domus, que é formada pela curvatura maior do estômago e é preenchida por gás, na posição ortostática.

O corpo do estômago é a maior parte do órgão, e é nessa parte que se formam as curvaturas maior e menor do estômago. E, finalmente, a parte pilórica, que é a parte mais inferior do estômago, e se esvazia no intestino delgado. O estômago possui ainda duas constrições de músculo circular, e estas são chamadas esfínceteres, e nós temos o esfíncter da cardia, também conhecido como esfíncter esofágico inferior, que localiza-se na junção do esôfago com o estômago.

Ele se abre para permitir que o bolo alimentar entre no estômago, e se contrái ou fecha uma vez que o alimento tenha entrado, para prevenir o seu refluxo para o esôfago. E nós temos ainda o esfíncter pilórico, que está situado no fim da parte pilórica do estômago.

Quando ele relaxa, ele permite que o alimento processado pela digestão química e mecânica no estômago se mova para o duodeno para o próximo estágio do processo digestivo. Estes esfíncteres de musculatura lisa são como porteiros, controlando quando o bolo alimentar ou os líquidos deixam a cavidade do estômago.

Removendo a parede anterior do estômago, agora nós podemos ver que o revestimento mucoso do estômago se dobra em pregas, que são conhecidas como rugas, e estas contêm glândulas especializadas e células secretórias que secretam sucos gástricos como ácido clorídrico e enzimas que ajudam na digestão do bolo alimentar.

Enquanto ficam no estômago, os alimentos são quebrados quimicamente por estes sucos gástricos e enzimas e mecanicamente pela contração e relaxamento
dos músculos gástricos, que fazem movimentos de onda, misturando os conteúdos do estômago.

É aqui no estômago que nós podemos dizer que a digestão química realmente acontece, mas aqui também ocorre digestão mecânica. Além dos sucos gástricos e enzimas, um muco alcalino protetor é secretado pelas células mucosas encontradas no revestimento epitelial do estômago, e o muco alcalino serve como camada protetora, protegendo o estômago de efetivamente se digerir, o que definitivamente não acabaria muito bem.

Continuando inferiormente pelo trato digestivo, a próxima parada após o estômago é o intestino delgado. O intestino delgado marca o início do que nós conhecemos como intestino, e é aqui que a maior parte da absorção dos nutrientes dos alimentos e líquidos acontece. Apesar de seu nome, o intestino delgado é nomeado assim devido ao seu diâmetro, comparado ao intestino grosso, que nós vamos discutir daqui a pouco.

Então o intestino delgado possui aproximadamente seis metros, ou vinte pés de comprimento, o que é mais ou menos a altura de uma girafa. Ele é obviamente uma continuação direta do estômago, que apresenta várias características anatômicas para absorção e digestão.

Uma destas especializações são as pregas vilosas (vilosidades) da mucosa do intestino delgado, que aumentam a área de superfície de absorção. As vilosidades por sua vez possuem microvilosidades, que aumentam ainda mais a área de superfície. De fato, se nós pudessemos desdobrar todo o intestino
delgado, sua área de superfície total seria suficiente para cobrir uma quadra inteira de tênis. Imagine isso!

Estruturalmente o intestino delgado pode ser dividido em três partes - o duodeno, que segue diretamente o esfíncter pilórico do estômago, o jejuno, e o íleo, que é a parte mais distal do intestino delgado.

O duodeno é a primeira parte ou primeira seção do intestino delgado, e, mais uma vez, por causa da localização dos órgãos adjacentes, fica difícil visibilizar o órgão. Então, para obter uma visão mais clara, vamos primeiro olhar esta ilustração onde o duodeno e o pâncreas foram isolados para nos permitir uma melhor visão.

Você talvez tenha notado que esta porção do intestino delgado possui um formato bem definido da letra “C”, e isso ocorre porque o duodeno se curva
ao redor da cabeça do pâncreas. Então lembre-se de quando nós falamos sobre a próxima parada do bolo alimentar após o estômago sendo o intestino delgado.

Bom, uma vez que o alimento sofreu ação da digestão química e mecânica, ele se esvazia no duodeno, e nesta fase o bolo alimentar é uma espécie de mistura líquida chamada quimo, e apesar de o duodeno ser apenas a primeira parte do intestino delgado, ele pode ser subdividido em quatro partes. Mas não se preocupe, não é muito complicado.

As quatro partes são a parte superior, que é a primeira parte do duodeno e se inicia logo depois do piloro, a parte descendente do duodeno, que é a segunda parte do duodeno, que cursa caudalmente desde a flexura duodenal superior - esta é a parte do duodeno que contém a papila duodenal maior ou ampola de Vater, vista aqui, que é uma abertura para o ducto pancreático e o ducto colédoco no intestino delgado, e ainda a papila duodenal menor, que é a abertura para o ducto pancreático acessório.

A parte horizontal é a terceira parte do duodeno, iniciando-se na flexura duodenal inferior, e cursando horizontalmente para o lado esquerdo, até o início da quarta e última porção do duodeno, a parte ascendente.

Como o nome sugere, esta parte cursa superiormente até atingir a margem inferior do corpo do pâncreas, terminando na flexura duodenojejunal, após a qual o intestino delgado passa a ser conhecido como jejuno. Então conforme acabamos de ver, após a flexura duodenojejunal, o intestino delgado passa ser conhecido como jejuno, e esta parte do intestino delgado possui apenas 0,9 metro de comprimento, e, de maneira interessante, a palavra jejuno significa vazio em Latim.

Este nome foi dado pelos gregos antigos, que observaram que o jejuno estava sempre vazio após a morte, e isso é muito estranho, não é? Depois que o jejuno termina, o íleo, que é a terceira e última parte do intestino delgado se inicia.

E esta última parte do intestino delgado possui aproximadamente 1.8 metros de comprimento. Comparado ao jejuno, o íleo é mais ricamente vascularizado, possui uma parede mais espessa, e pregas mucosas mais desenvolvidas em seu
lúmen, que suportam a função principalmente absortiva desta parte do intestino delgado.

O íleo cursa até a sua terminação na junção ileocecal, que é a junção entre a parte terminal do íleo e o ceco do intestino grosso. Então agora que nós chegamos ao intestino grosso, nós vamos nos aproximar da parte distal do canal alimentar, e o intestino grosso, também conhecido como cólon, se estende do ceco ao reto, medindo cerca de 1.5 metros de comprimento, e é aqui no intestino grosso que a absorção de água e vitaminas dos alimentos ingeridos acontece.

Também é no intestino grosso que os alimentos não digeridos são armazenados na forma de material fecal, antes de ser eliminado do corpo através da defecação. Bem, então vamos dar uma olhada nas partes do intestino grosso. A primeira parte do intestino grosso é esta parte que nós já mencionamos hoje, o ceco, e se você observá-lo, ele se parece um pouco com uma bolsa, ou saco.

E esta parte do intestino grosso situa-se no quadrante inferior direito do abdômen, e conecta o intestino delgado ao intestino grosso através da valva ileocecal. Em sua extremidade inferior existe um abaulamento ou estrutura
alongada, conhecida como apêndice vermiforme - e nós vamos discutir o apêndice vermiforme daqui a pouco na videoaula - mas por enquanto vamos continuar para a próxima parte do intestino grosso, que é o cólon ascendente.

Como o seu nome sugere, esta parte do cólon cursa superiormente no lado direito, ao longo da parede abdominal posterior. Se nós dissecarmos o intestino grosso e isolarmos o órgão, ele pareceria um pouco com o que vemos nesta ilustração.

Então aqui nós podemos ver a parte ascendente do cólon destacada em verde, e esta parte do cólon é retroperitoneal, e continua superiormente até a flexura cólica direita, que também é conhecida como flexura hepática, devido ao fato de que ela se encontra posterior ao fígado, e depois dela se inicia o cólon
transverso.

O cólon transverso começa na flexura cólica direita, e cursa horizontalmente dentro da cavidade peritoneal até a flexura cólica esquerda, que também é conhecida como flexura esplênica. E apesar de se prender à parede abdominal posterior através de seu próprio mesentério, esta é a parte mais móvel do intestino grosso.

Na flexura cólica esquerda, o intestino grosso se curva e cursa inferiormente, e esta parte é apropriadamente conhecida como cólon descendente. Neste ponto o cólon perde o seu mesentério, e novamente se torna retroperitoneal. Ele cursa inferiormente no lado esquerdo da parede abdominal posterior por cerca de 25 centímetros, após os quais ele se curva medialmente, entrando na pelve para continuar como cólon sigmoide, e você pode ver o cólon sigmoide destacado em verde.

O cólon sigmoide tem esse nome porque ele faz uma volta no formato da letra “S”, e, ao contrário do cólon descendente, esta parte do cólon é considerada
intraperitoneal, já que é coberta por seu próprio mesentério, conhecido como mesocólon sigmoide. Situado na parte terminal do intestino grosso encontra-se o reto, e o reto é uma continuação do cólon sigmoide, que nós acabamos de ver, entretanto, ao contrário do cólon sigmoide, o reto não é recoberto por seu próprio mesentério, o que faz dele um órgão retroperitoneal.

O reto cursa inferiormente para o assoalho pélvico, e possui uma dilatação em sua extremidade distal, conhecida como ampola retal. Após a ampola retal, o reto continua como canal anal, e o canal anal é a parte terminal do canal alimentar. Se você está comigo até agora, então você está indo muito bem.

A demarcação entre o reto e o canal anal é feita na junção anorretal, que fica em um ângulo reto formado pelo reto ao nível do músculo levantador do ânus, e o canal anal e também é um tubo muscular que mede aproximadamente 4 centímetros de comprimento, e cuja parede é formada por músculo circular.

Então nós temos dois esfíncteres, que são formados pelo músculo circular. O esfíncter anal interno é constituído em músculo visceral, e fica permanentemente contraído, como resultado de um tônus simpático, e relaxa sobre influência parassimpática.

Nós temos ainda o esfíncter anal externo, que é constituído de músculo esquelético, e ele fica sob controle voluntário, e pode se relaxar e abrir durante a eliminação do material fecal, conhecida como defecação,
também conhecida como evacuação.

Muito bem, então isso cobre os principais órgãos do canal alimentar. Agora vamos continuar a estudar alguns dos outros órgãos que não mantêm contato direto com o bolo alimentar, mas ainda assim ajudam no processo de digestão, e estes são os órgãos digestivos acessórios.

Existem vários órgãos digestivos acessórios, mas nós vamos estudar somente alguns deles nesta videoaula. O primeiro órgão digestivo acessório que nós vamos estudar é a língua. A língua é um órgão muscular da cavidade oral, e ela consiste em músculos extrínsecos e intrínsecos.

Isto ocorre porque ela auxilia na mastigação, gustação, deglutição e limpeza da cavidade oral. Ela também ajuda na formação da fala. Anatomicamente, a língua pode ser dividida em duas partes - os dois terços anteriores da língua, que são conhecidos como corpo da língua, e o terço posterior da língua, que é conhecido como raiz da língua - e aqui nós podemos ver a raiz da língua a partir de duas perspectivas diferentes, e esta parte da língua é parte da orofaringe.

Os próximos órgãos acessórios que nós vamos estudar são as glândulas salivares, e aqui existem três glândulas principais que produzem e secretam
saliva na cavidade oral - as glândulas submandibulares, as glândulas sublinguais e as glândulas parótidas.

Mas hoje nós vamos discutir somente as duas primeiras. Tudo bem, você deve estar pensando, “Meu Deus! Nós passamos de uma discussão sobre a matéria fecal para outra sobre a saliva.” Bem, a produção da saliva possui um papel
importante no processo digestivo, porque ela contém enzimas como a amilase, que catalisam a quebra do amido, além de lubrificar a cavidade oral e portanto auxiliam na mastigação, deglutição e gustação.

Como eu disse, nós só vamos ver duas das três glândulas salivares - a glândula submandibular e a glândula sublingual. A glândula submandibular é a segunda maior das três glândulas salivares, mas apesar disso, esta glândula produz a maior quantidade de saliva entre as três glândulas. A saliva produzida por esta glândula é secretada no espaço sublingual através dos ductos submandibulares, que também são conhecidos como ductos de Wharton.

A glândula sublingual é a menor das três glândulas salivares principais, e conforme esperado, ela secreta a menor quantidade de saliva entre as três glândulas. Ela se esvazia através de numerosos ductos, e o maior ducto sublingual é conhecido como ducto de Bartholin, e os ductos sublinguais
menores, que podem ser em número de oito a vinte, são conhecidas como ductos de Rivinus. E estes secretam o conteúdo da glândula sublingual no assoalho da cavidade oral.

Em seguida nós vamos observar as tonsilas palatinas. As tonsilas são massas de tecido linfático que possuem um importante papel em nosso sistema imunológico. Para os objetivos desta videoaula, entretanto, nós vamos analisar apenas as tonsilas palatinas.

As tonsilas localizam-se entre os arcos palatoglosso e palatofaríngeo, e aqui você pode vê-las a partir de um ponto de vista anterior, com a boca bem aberta para revelar as tonsilas. As tonsilas palatinas são parte do anel
de Waldeyer, que é uma coleção de quatro tipos de tonsilas dispostas em anel ao redor da orofaringe e da nasofaringe, e estas servem como um tipo de sistema de vigilância para todos os tipos de organismos entrando no corpo.

O próximo órgão digestivo acessório que nós vamos ver é o fígado, e ele está situado no quadrante superior direito do abdômen. Ele é um órgão multifuncional que se encarrega da desintoxicação, armazenamento do glicogênio, síntese proteica e produção hormonal, para mencionar apenas algumas de suas funções.

O fígado é um órgão intraperitoneal que é revestido por peritônio visceral, exceto pela parte do órgão que está em contato com o diafragma, conhecida como área nua. Além disso, o fígado possui quatro lobos anatômicos, e estes podem ser divididos em segmentos menores. Ele ainda mantém contato com o duodeno, a flexura hepática do cólon, o cólon transverso, o rim direito e a glândula suprarrenal, o diafragma e a vesícula biliar. A vesícula biliar, vista aqui destacada em verde também é um órgão digestivo acessório, como nós acabamos de ver, e situa-se em uma fossa entre os lobos esquerdo e direito do fígado.

A vesícula biliar armazena e concentra a bile que é produzidas pelo fígado, e ela libera sistematicamente a bile no lúmen da parte descendente do duodeno, através do ducto hepatocolédoco. A bile ajuda na digestão do bolo alimentar no intestino delgado, e também facilita a absorção de gordura, bem como a eliminação de certos produtos, como o excesso de colesterol e hemoglobina de células sanguíneas vermelhas danificadas.

O pâncreas é outro órgão digestivo acessório, e aqui você pode perceber o pâncreas destacado em verde, apesar de nossa visão estar obstruída pelo estômago e pelo fígado. Nessa ilustração o estômago foi removido e o fígado foi rebatido para nos dar uma visão mais clara do pâncreas.

O pâncreas é um órgão retroperitoneal que possui glândulas endócrinas e exócrinas. As glândulas exócrinas do pâncreas produzem enzimas digestivas que são secretadas no lúmen do duodeno através do ducto pancreático principal e do ducto pancreático acessório para agir no bolo alimentar.

Se você se lembrar de quando olhamos o duodeno, nós vimos as papilas duodenais maior e menor, na parede da parte descendente do duodeno, e estas aberturas são para os ductos pancreáticos principal e acessório, respectivamente.

A função endócrina do pâncreas também possui um papel importante na manutenção dos níveis normais de açúcar no sangue, através da produção
e liberação de insulina e glucagon. O último órgão acessório que nós vamos ver é o apêndice vermiforme, e nós vimos esta estrutura brevemente quando falamos do ceco.

O apêndice vermiforme é um tubo muscular em fundo cego, ligado à extremidade dorsomedial do ceco, medindo entre dois e quinze centímetros, dependendo do indivíduo. Inicialmente, a função do apêndice vermiforme não era compreendida, e pensava-se que tratava-se de um órgão evolutivo, que não possuia mais nenhuma função relevante, mas agora nós sabemos que ele na verdade é parte do tecido linfático associado à mucosa, e portanto possui funções imunológicas.

Bem, agora que nós vimos os órgãos digestivos principais e acessórios, vamos dar uma olhada em uma das doenças do trato digestivo, que afeta centenas de milhares de pessoas ao redor do mundo - a doença do refluxo gastroesofágico. A doença do refluxo gastroesofágico, ou DRGE, é a irritação crônica do esôfago, faringe, e, algumas vezes, até da laringe.

E esta irrigação é causada pelo fluxo retrógrado de ácido gástrico do estômago para o esôfago, e retrogradamente pelo canal alimentar, um fenômeno conhecido como refluxo. E esta condição também é mais conhecida como refluxo ácido.

Existem vários fatores que podem causar DRGE, incluindo hérnia gastrointestinal, fraqueza ou insuficiência do esfíncter esofágico inferior, obesidade também pode ser um fator que contribui, gravidez também é outro fator, e atraso no esvaziamento do estômago ou até desordens do tecido conectivo como esclerodermia podem desempenhar um papel na doença.

Alguns hábitos também podem exacerbar ou aumentar o risco de DRGE, como ingerir certos tipos de alimentos que desencadeiam ou agravam a condição,
como alimentos que são ricos em gorduras, o tabagismo, a ingestão de certas bebidas que também podem agravar a condição, como café ou álcool, certas medicações também podem ter efeito, por exemplo a aspirina, ou até o excesso de alimentação muito tarde à noite.

Os pacientes que sofrem de DRGE frequentemente experimentam dificuldade na deglutição, dor torácica ou uma sensação de queimação retroesternal no peito, que geralmente ocorre após a alimentação ou à noite, além da sensação de que possuem um “bolo” na garganta, e regurgitação do conteúdo do estômago ou de um líquido amargo. Mas agora algumas boas notícias.

Tais sintomas, se não forem muito severos, podem geralmente ser tratados usando medicações simples como antiácidos ou IPP, também conhecidos como inibidores da bomba de prótons, com a ajuda de algumas medicações mais complexas que exigem prescrição médica.

Em casos graves, medidas cirúrgicas podem ser tomadas usando procedimentos como a funduplicatura, para reforçar o esfíncter esofágico inferior, ao envolver a parte superior do estômago ao redor dele ou um anel magnético
conhecido como LINX pode ser colocado na junção gastroesofágica para impedir
que o conteúdo do estômago seja empurrado de volta para o esôfago.

Isto nos trás ao final da nossa videoaula.

Vamos recapitular brevemente o que nós vimos até agora.

Nós falamos sobre como o sistema digestivo consistem em órgãos digestivos e órgãos digestivos acessórios. Primeiro nós falamos sobre os órgãos digestivos, começando com a cavidade oral própria, em seguida nós continuamos com o trato digestivo e faringe, quando nós falamos sobre duas das três partes da faringe que são associadas com o trato digestivo - a nasofaringe, a orofaringe e a laringofaringe.

Em seguida nós continuamos para olhar o esôfago, seguido pelo estômago, e continuamos descendo pelo canal alimentar ao falar sobre o intestino delgado e suas três partes anatômicas, chamadas de duodeno, jejuno e íleo. Em seguida nós continuamos para a parte terminal do canal alimentar, que é o intestino grosso, e nós discutimos as partes do intestino grosso em mais detalhes, incluindo o ceco, o cólon ascendente, o cólon transverso, o cólon descendente, o cólon sigmoide, o reto, o canal anal e o ânus. Depois nós olhamos alguns órgãos digestivos acessórios, como as glândulas salivares, a língua, as tonsilas, o fígado e a vesícula biliar, o pâncreas e o apêndice vermiforme.

Eu espero que você tenha gostado desta videoaula.

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