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Epididimite

A epididimite é uma inflamação do epidídimo, que pode ser aguda ou crônica. A inflamação resulta em dor e edema que ocorre na região posterior dos testículos. Geralmente, é unilateral e pode ser causada por infeções sexualmente transmissíveis.

Os patógenos causadores mais comuns são a Chlamydia trachomatis, a Neisseria gonorrhoea e a sífilis. As infeções transmitidas não sexualmente por Escherichia coli, Staphylococcus e Streptococcus ocorrem mais comumente em homens idosos.

Fatos Importantes
Epidídimo

Estrutura tubular enovelada

Posteriormente ao testículo

Três regiões principais: cabeça, corpo e cauda

Epitélio cilíndrico pseudoestratificado 

Dois tipos principais de células: principais e basais

Esperma amadurece ao passar pelo epidídimo

Classificação

Aguda (dias) ou crônica (mais de três meses)

Causas

Idiopática

STIs (<35 anos): Chlamydia trachomatis, Neisseria gonorrhoea e sífilis

ITU ou prostáticas, obstruções ou cirurgia urológica recente (>35 anos): Streptococcus, Staphylococcus e E. coli

Infeções virais: Coxsackie, Echovirus e Varicella-Zoster

Vasculites: púrpura de Henoch-Schönlein e síndrome de Behçet

Amiodarona

Fatores de risco

Relações sexuais desprotegidas

Cateteres uretrais permanentes e intermitentes

Procedimentos cistoscópicos

Hiperplasia benigna da próstata

Obstrução do colo da bexiga

Formação de estenose uretral

Sinais e Sintomas

Edema unilateral

Área dolorosa e sensível

Aumento do tamanho do testículo

Frequência e disúria

Corrimento uretral

Edema flutuante

Febre

Investigações

Coloração gram e a cultura das secreções uretrais

Teste de urina com fita reativa

NAAT: teste para a clamídia e gonorreia

Ecografia duplex a cores

Tratamento

Antibióticos

Fluidos intravenosos

AINEs

Epididimectomia

Complicações

Abcesso

Isquemia testicular e enfarte

Infertilidade

Epidídimo

O epidídimo é uma estrutura tubular altamente enovelada, que se encontra posteriormente ao testículo. Tem três regiões principais: a cabeça, o corpo e a cauda. A cabeça é a parte mais superior e recebe o esperma. Os testículos produzem espermatozoides que fluem para o epidídimo e aí são parcialmente armazenados. A cauda é a parte mais estreita, que se junta ao canal deferente.

O revestimento do epidídimo é de epitélio cilíndrico pseudoestratificado que é rodeado por músculo liso e tecido conjuntivo. Estão presentes dois tipos principais de células, principais e basais, no epitélio. As células principais possuem estereocílios, que são microvilosidades e que aumentam a área de superfície, o que ajuda na absorção de esperma fluido e deficiente. O esperma amadurece ao passar pelo epidídimo. Depois de passar um mês no epidídimo, os espermatozoides expiram e são substituídos. Os espermatozoides defeituosos e mortos são absorvidos pelo corpo e, posteriormente, excretados.

O canal deferente passa superior e posteriormente ao testículo e, de seguida, volta-se ântero-medialmente de forma oblíqua, abrindo-se na uretra prostática através de uma abertura conhecida como verumontanum. As vesículas seminais situam-se inferiormente ao canal deferente de cada lado e também se abrem para o verumontanum na uretra prostática. A próstata situa-se inferiormente às vesículas seminais e a sua porção uretral central circunda a porção prostática da uretra.

A próstata e as vesículas seminais produzem a maior parte do fluido seminal. Estas produções são, então, combinadas com os espermatozoides, para formar o sêmen que é libertado na ejaculação. A ejaculação bem sucedida depende de vários fatores. Durante a ejaculação, o canal deferente contrai e promove a propulsão anterógrada do esperma.

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Classificação

A epididimite pode ser classificada como aguda ou crônica. A epididimite aguda desenvolve-se ao longo de alguns dias. A epididimite crônica persiste por mais de três meses e isso pode ser devido à inflamação, com ou sem infecção, e obstrução. É preciso investigar causas subjacentes de epididimite crônica para descartar cancro testicular, varicocelo (varicocele) ou cisto epididimal.

Causas

  • Em alguns casos, a epididimite é idiopática e a causa é desconhecida.
  • Em homens jovens, geralmente com menos de 35 anos de idade, a epididimite pode ser causada mais comumente por infeções sexualmente transmissíveis, como Chlamydia trachomatis, Neisseria gonorrhoea e sífilis. Homens mais velhos com mais de 35 anos com infeções do trato urinário ou prostáticas, obstruções da saída da bexiga ou cirurgia urológica recente podem ter epididimite causada por patógenos entéricos, como Streptococcus, Staphylococcus e E. coli. Por vezes, alguns doentes com doença sistémica e imunodeprimidos com contacto com tuberculose podem ter epididimite.
  • As infeções virais podem causar epididimo-orquite; os que não foram imunizados contra a parotidite podem desenvolver orquite. Outros vírus associados são o vírus Coxsackie, o Echovirus e o vírus Varicella-Zoster.
  • As vasculites, como a púrpura de Henoch-Schönlein e a síndrome de Behçet, raramente apresentam orquite epididimária. Outra causa rara, ainda que reversível, é o uso da amiodarona, que é uma droga antiarrítmica.

Fatores de Risco

  • A epididimite pode estar relacionada com fatores de risco como relações sexuais desprotegidas. Homens que fazem sexo com homens estão em risco durante a relação anal desprotegida.
  • Os cateteres uretrais permanentes e intermitentes, bem como procedimentos cistoscópicos, podem colocar os pacientes em risco de infeção. As infecções do trato urinário podem propagar-se para o epidídimo levando à epididimite.
  • A obstrução da saída da bexiga pode ocorrer em homens mais velhos, com hiperplasia benigna da próstata, obstrução do colo da bexiga ou formação de estenose uretral. Isso coloca os pacientes em risco de pressões mais elevadas durante a micção e esvaziamento incompleto da bexiga, o que leva à infeção e à possível disseminação para o epidídimo.

Sinais e Sintomas

No início agudo, os sintomas da epididimite desenvolvem-se ao longo de alguns dias e duram menos de seis semanas: 

  • O edema é geralmente unilateral. A área é dolorosa e sensível. Pode haver aumento do tamanho do testículo, que pode estar quente, ruborizado e edemaciado.
  • Os pacientes podem apresentar sintomas do trato urinário inferior, como frequência e disúria.
  • Sinais menos comuns são corrimento uretral, edema flutuante e febre.
  • O reflexo cremastérico é um sinal útil para diferenciar entre a torção testicular e a epididimite. Este reflexo é estimulado pelo toque ligeiro na face superior e medial da coxa - a resposta normal deve ser a elevação do testículo ipsilateral, graças à contração do músculo cremaster. O reflexo cremastérico, se normal antes do início dos sintomas da epididimite, permanecerá normal com a condição.
  • No exame físico, na torção testicular, o testículo encontra-se frequentemente elevado no escroto numa posição rodada transversalmente; já na epididimite, o testículo deverá estar numa posição normal.

Investigações

  • As investigações iniciais são a coloração gram e a cultura das secreções uretrais. A amostra de secreções deve ser obtida antes da micção. Este teste é muito útil para verificar se há infecção gonocócica.
  • De seguida, é necessário um teste de urina com fita reativa para verificar se há leucócitos no sangue, o que indica infeção do trato urinário. Posteriormente, pode fazer-se a microscopia de urina e cultura do primeiro jato urinário, para confirmar os resultados da tira teste.
  • O teste para a clamídia e gonorreia é o teste de amplificação de ácidos nucleicos (NAAT). Este teste amplifica e identifica o DNA microbiano. É altamente sensível e específico na deteção de vírus e bactérias causadoras de epididimite.
  • A ecografia duplex a cores é útil, pois permite visualizar a estrutura e o fluxo sanguíneo, tem alta sensibilidade e especificidade no diagnóstico da epididimite e é muito boa na diferenciação com a torção testicular.

Tratamento

Se os sintomas não cessarem após três dias, deve ser iniciado o tratamento. Uma vez descartadas outras causas, deve ser iniciado o tratamento para a epididimite.

  • Os pacientes cuja etiologia provável seja uma infecção sexualmente transmissível devem ser tratados com antibióticos; vários hospitais recomendarão antibióticos diferentes. Geralmente, o tratamento de escolha para gonorreia e clamídia é a azitromicina ou o ceftriaxone, eventualmente juntamente com a doxiciclina.
  • Para infeções transmitidas não sexualmente, causadas por bactérias entéricas, recomendam-se antibióticos do grupo das fluoroquinolonas, tal como a ofloxacina.
  • Em caso de sinais de sepsis, é necessária a reposição de fluidos intravenosos e o seguimento do protocolo da sepsis.
  • Para alívio da dor, prescrevem-se medicamentos anti-inflamatórios não esteroides (AINEs). Os pacientes são aconselhados a repousar na cama. Também é recomendada a elevação do escroto e a aplicação de compressas frias até que os sinais de infeção tenham diminuído.
  • Sintomas persistentes na epididimite crônica com duração de mais de três meses podem indicar: abcesso testicular, enfarte, tumor subjacente ou infeções atípicas, como fungos ou tuberculose. É importante investigar e tratar adequadamente estes diagnósticos diferenciais.
  • A epididimectomia é a remoção cirúrgica do epidídimo. Isto pode ser recomendado em casos graves com infeções crônicas e não tratados com sucesso através de intervenção médica. No entanto, este procedimento causa esterilidade.

Complicações

A epididimite não tratada pode resultar em complicações graves que podem causar danos permanentes ao epidídimo e levar à infertilidade masculina. O enfarte testicular ocorre devido à oclusão das artérias testiculares. O processo inflamatório no epidídimo pode levar à compressão extrínseca de estruturas ao seu redor, o que pode levar à infertilidade. O tratamento precoce da epididimite evitará que isso aconteça.

O processo inflamatório da epididimite pode levar a cicatrizes e causar obstrução epididimária; isto também pode resultar em infertilidade. Os corticosteroides têm sido benéficos na redução do desenvolvimento de obstrução.

Outra complicação de não tratar a epididimite o quanto antes é a formação de um abcesso. Isto é uma ocorrência rara e precisa de antibiótico de urgência, ou pode ser necessário drená-lo cirurgicamente.

Sumário

  • O epidídimo é uma estrutura tubular altamente enovelada que se encontra posteriormente ao testículo.
  • A epididimite é uma inflamação do epidídimo.
  • A epididimite pode ser classificada como aguda ou crônica: aguda quando inferior a 6 semanas e crônica quando superior a 3 meses.
  • Geralmente, é causada por infeções sexualmente transmissíveis em homens que têm relações anais desprotegidas.
  • Os patógenos causadores comuns são a Chlamydia trachomatis ou a Neisseria gonorrhoea.
  • Outros fatores de risco em homens mais velhos são cateteres ureterais intermitentes e permanentes e procedimentos cistoscópicos.
  • Outras causas: hiperplasia benigna da próstata, obstrução do colo da bexiga ou formação de estenoses uretrais.
  • Causas mais raras: púrpura de Henoch-Schönlein e síndrome de Behçet ou induzida pela amiodarona.
  • Sinais e sintomas: edema unilateral, rubor, calor, sensibilidade e dor.
  • Investigações: coloração Gram e cultura de secreções uretrais, microscopia e cultura de urina, teste de amplificação de ácidos nucleicos, ecografia duplex a cores e exploração cirúrgica.
  • Tratamento médico: antibióticos.
  • Tratamento cirúrgico: epididimotomia.
  • Complicações da epididimite não tratada: isquemia testicular e enfarte, formação de abcessos ou obstrução do epidídimo. Todos podem levar potencialmente à infertilidade masculina.

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Referênces:

  • Murray Longmore, Ian Wilkinson, Andrew Baldwin, Elizabeth Wallin: Oxford Handbook of Clinical Medicine, 9.ª edição.
  • Martel Janelle: Epididymitis. Healthline Media. (acessado em 21/05/2016)
  • Lab Tests Online: Chlamydia and Gonorrhea NAAT Screening. American Association for Clinical Chemistry. (acessado em 21/05/2016)
  • David M. Whiley, John W. Tapsall, and Theo P. Sloots: Nucleic Acid Amplification Testing for Neisseria gonorrhoeae. 
  • David Schlossberg: Clinical Infectious Disease. Cambridge medicine.
  • W. John Spicer: Clinical Microbiology and Infectious Diseases: An Illustrated Colour Text. 2nd edition. Churchill Livingstone Elsevier.
  • Markus Hohenfellner, R.A. Santucci: Emergencies in Urology. Springer.

Autor, revisão e layout:

  • Shahab Shahid
  • Uruj Zehra
  • Catarina Chaves

Tradução para Português e layout:

  • Rafael Vieira

Ilustrações:

  • Epidídimo - vista lateral-direita - Paul Kim
  • Epidídimo - vista lateral-direita - Irina Münstermann
  • Epidídimo - lâmina histológica - Smart In Media
  • Próstata - vista coronal - Samantha Zimmerman
  • Próstata - vista sagital - Paul Kim
  • Bexiga - vista lateral-direita - Irina Münstermann
  • Orifício externo da uretra - vista inferior - Samantha Zimmerman
  • Artéria testicular - vista anterior - Hannah Ely
  • Artéria testicular - vista lateral-direita - Paul Kim 
© Exceto expresso o contrário, todo o conteúdo, incluindo ilustrações, são propriedade exclusiva da Kenhub GmbH, e são protegidas por leis alemãs e internacionais de direitos autorais. Todos os direitos reservados.

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