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Nervo Acessório

O nervo acessório (NC XI) é provavelmente um dos mais controversos dos doze nervos cranianos. Existe uma disputa significativa em toda a literatura médica sobre se o nervo deve ou não ser realmente classificado como um nervo craniano. Essa discordância envolve a observação de que as fibras nervosas que surgem do núcleo cranial são apenas brevemente associadas aquelas vindas do núcleo espinhal, antes de continuar com outros nervos cranianos. Este debate é estimulado ainda mais pelo fato da descrição galênica dos nervos cranianos é aquela que se desenvolveu dentro do cérebro, e não necessariamente aqueles que passam pela calota craniana.

A maioria dos textos ainda se refere ao nervo acessório como tendo dois componentes. As fibras que surgem do componente intracraniano são conhecidas como nervo acessório cranial, enquanto as fibras que surgem do núcleo espinhal são chamadas de nervo acessório espinhal.

Embora reconhecendo a disputa em curso, este artigo irá discutir a estrutura do nervo acessório como foi classicamente descrito (isto é, dois componentes). Conceitos sobre o curso, função e exame do nervo serão abordados. Outros pontos referentes às lesões do nervo acessório também serão incluídos aqui.

Fatos Importantes
Divisões (partes) Divisão cranial e divisão espinhal
Núcleos Núcleo acessório espinhal, núcleo craniano do nervo acessório (núcleo ambíguo)
Tipo Motor
Origem no tronco encefálico Parte posterior da oliva abaixo das raízes do nervo vago
Forames Associados Forame Jugular (parte vascular)
Inervação Músculo trapézio, músculo esternocleidomastóideo, constritores faríngeos, laringe, músculos do palato mole (motor)
Clínica Lesões extracranianas, lesões no forame jugular, lesões do núcleo, lesões acima do núcleo

Anatomia

O nervo acessório é o décimo primeiro dos doze nervos cranianos. Suas fibras consistem de fibras motoras eferentes e fibras proprioceptivas aferentes. A palavra aferente significa em direção ao centro, como de uma área periférica de um membro em direção ao sistema nervoso central. A palavra eferente é o oposto de aferente, significando para longe do centro e em direção à periferia, ou seja, quando o estímulo é carregado do cérebro em direção a uma área periférica.
 

Videoaula recomendada: Nervo acessório
Percurso, ramificações e núcleos do nervo acessório.

Trajeto

O trajeto das fibras motoras eferentes do nervo acessório é o seguinte (do início no cérebro às suas terminações, na periferia):

  1. As fibras motoras eferentes emergem do núcleo ambíguo, que está localizado no tubérculo grácil, no tronco encefálico.
  2. As fibras também continuam a emergir ao longo do fascículo grácil.
  3. As fibras do núcleo ambíguo cursam na raiz cranial do nervo acessório, enquanto as fibras do fascículo grácil cursam na raiz espinhal do nervo acessório.
  4. Juntos estes dois ramos deixam o crânio em sua base, através do forame magno.
  5. Após deixar o crânio, os feixes nervosos se fundem momentaneamente, formando o nervo acessório, sem misturar as suas fibras.
  6. Eles então se separam e as fibras do núcleo ambíguo formam sinapse no gânglio jugular superior do nervo vago (nervo craniano X). Daí em diante as fibras do nervo acessório cursam dentro do vago e terminam no nervo laríngeo recorrente, que inerva os músculos da laringe, exceto o músculo cricotireóideo.
  7. Enquanto isso as fibras do fascículo grácil continuam como o ramo principal do nervo acessório, e inervam o músculo esternocleidomastóideo e o músculo trapézio.
  8. Além de emergir do fascículo grácil e se fundir à raiz espinhal do nervo acessório, as fibras cursam ainda diretamente do fascículo grácil para os nervos espinhais cervicais C1-C4, e se fundem ao ramo principal do nervo acessório conforme ele desce do forame magno em direção à musculatura que ele inerva.

O trajeto para as fibras proprioceptivas aferentes do nervo acessório é o seguinte (do seu início na periferia até o final, no cérebro):

  1. Fibras proprioceptivas emergem das fibras musculares dos músculos trapézio e esternocleidomastóideo.
  2. As fibras dos músculos esternocleidomastóideo e trapézio cursam para os nervos espinhais cervicais C3 e C4, respectivamente.
  3. As fibras formam sinapse no gânglio espinhal, localizado entre as vértebras cervicais, antes de finalmente formar sinapse na medula espinhal no fascículo grácil e entrar no trato espinhal.

Nota Clínica

Lesões do Nervo Acessório

Raramente há lesões isoladas do nervo acessório. As lesões do nervo acessório podem ser classificadas de acordo com o local em que, ao longo do trajeto do nervo, a lesão surge. Essas lesões também podem ser localizadas porque existem sintomas específicos associados a diferentes lesões segmentares. De um modo geral, qualquer lesão do NC XI apresentará paralisia do trapézio e do esternocleidomastóideo. Isso será tipificado pelo desgaste das fibras cranianas do trapézio e por todo o esternocleidomastóideo, deslocamento escapular, incapacidade de manter a cabeça em uma posição neutra (queda da cabeça).

Lesões Extracranianas

As lesões cervicais iatrogênicas e traumáticas são responsáveis por uma quantidade significativa de casos de lesões extracranianas do nervo acessório. A terapia pós-radiação também foi identificada como uma causa para lesões isoladas de NC XI também.

Lesões no Forame

Uma lesão isolada do NC XI dentro do forame jugular é altamente incomum. Distúrbios dentro do forame geralmente afetam todos os nervos e vasos que viajam por essa passagem. Estas lesões podem ser vistas em certas síndromes, tais como:

  • Síndrome de Collet-Sicard - várias paralisias de nervos cranianos resultantes de um schwannoma ou tumor glômico jugular do forame jugular.
  • Síndrome de Vernet - também é conhecida como síndrome do forame jugular e envolve paresia motora de NC IX, X e XI. Compartilha etiologias semelhantes com a síndrome de Collet-Sicard.
  • Síndrome de Villaret - refere-se a um distúrbio do espaço retroparotídeo, que resulta em paralisia de NC IX, X, XI e XII, bem como a síndrome de Horner (ptose, miose e enoftalmia).

Lesões do Núcleo

Muito raramente, as lesões isoladas do NC XI causam paralisia muscular. No caso de ocorrer, estaria associado a uma lesão medular baixa ou cervical alta. Siringomielia, tumores do tronco encefálico ou infartos podem causar essas lesões.

Lesões acima do Núcleo

Embora o núcleo acessório receba projeção cortical bilateral, ele ainda pode apresentar sintomas únicos após lesões hemisféricas. A paralisia contralateral do trapézio e a paralisia ipsilateral do esternocleidomastóideo estão associadas a um infarto cortical unilateral. O paciente se apresenta com a cabeça voltada para o lado da lesão e longe do lado paralisado do corpo. Além disso, se houver uma convulsão parcial que afeta apenas um hemisfério, o paciente experimentará a contração do esternocleidomastóideo ipsilateral (ou seja, a face será afastada do lado com a convulsão). Portanto, os pacientes olham para a lesão como um acidente vascular cerebral (acidente vascular cerebral) e afastam-se da lesão com uma convulsão.

Sinais e sintomas de lesão do nervo acessório

A dor é o sintoma mais comum de apresentação de pacientes com lesão do nervo acessório. É muitas vezes ipsilateral à lesão e pode irradiar ao longo da parte superior das costas e pescoço. O suporte de peso no lado afetado tende a agravar os sintomas. Além disso, os pacientes podem ter dificuldade em realizar atividades básicas da vida diária que exijam elevação do ombro, pois eles experimentam graus variados de fraqueza, dependendo da extensão da lesão. Uma história sugerindo um mecanismo de lesão também pode ser descoberto.

Na inspeção do próprio ombro (não do nervo craniano como descrito acima), o paciente pode ter apenas sinais de perda de massa muscular se a lesão estiver presente por algum tempo. No entanto, pode haver queda do ombro afetado, pois o músculo não consegue mais elevar passivamente o ombro. A articulação pode tornar-se rígida e difícil de mobilizar com manobras ativas e passivas. Sem o apoio do músculo trapézio na clavícula, pode haver subluxação ou hipertrofia na articulação esternoclavicular. Além disso, a cabeça do úmero pode ser girada internamente.

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Mostrar referências

Referências:

  • Frank H. Netter, Atlas der Anatomie, 5th Edition (Bilingual Edition: English and German), Saunders, Chapter 1, Plate 96, 114-115 and 126, published 2010.

 Autor:

  • Dr. Alexandra Sierosławska

Ilustrações:

  • Nervo acessório - vista inferior - Paul Kim
  • Nervo acessório - vista coronal - Paul Kim
  • Nervo acessório - vista lateral-direita - Paul Kim
  • Raiz cranial do nervo acessório - vista anterior - Paul Kim
  • Raíz espinhal do nervo acessório - vista anterior - Paul Kim
  • Núcleo ambíguo - vista lateral-esquerda - Paul Kim
  • Fascículo grácil - vista axial - Paul Kim
  • Músculo trapézio - vista lateral-direita - Paul Kim
  • Músculo esternocleidomastóideo - vista lateral-direita - Paul Kim
  • Gânglio espinhal - vista axial - Paul Kim

Tradução para português:

  • Rafael Lourenço do Carmo
  • Catarina Chaves
© Exceto expresso o contrário, todo o conteúdo, incluindo ilustrações, são propriedade exclusiva da Kenhub GmbH, e são protegidas por leis alemãs e internacionais de direitos autorais. Todos os direitos reservados.

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