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Medula espinal

A medula espinal é uma estrutura do sistema nervoso central, e está localizada no interior do canal vertebral, se estendendo desde o forame magno até o nível da primeira ou da segunda vértebras lombares. Sua anatomia reflete a sua função: conduzir impulsos nervosos entre o encéfalo e os demais órgãos e tecidos do corpo, além de viabilizar os arcos reflexos.

Este artigo irá discutir a anatomia da medula espinal, incluindo seu revestimento meníngeo e os seus tratos de substância branca, sua relação com os nervos espinais e seu papel nos arcos reflexos.

Antes de começarmos, é importante esclarecer algumas questões sobre terminologia. Os termos “espinal” e “espinhal” são sinônimos, e ambos podem ser usados para fazer referência à medula e aos nervos periféricos. Assim, os termos “medula espinal” e “medula espinhal”, bem como “nervo espinal” e “nervo espinhal” ou “nervos espinais” ou “nervos espinhais” estão todos corretos. Nesse artigo optamos pelo uso de “espinal” e “espinais”, uma vez que esses são os termos utilizados na terminologia anatômica oficial.

Informações importantes sobre a medula espinal
Definição Parte do sistema nervoso central localizada no interior do canal vertebral
Função - Conduzir impulsos nervosos entre o cérebro e os demais órgãos do corpo
- Promover o arco reflexo
Estrutura Superfície externa: fissura mediana anterior, sulco mediano posterior, sulcos anterolaterais e sulcos posterolaterais

Estrutura interna:

Substância cinzenta:
cornos anterior, posterior e lateral
Substância branca:
funículos anterior, lateral e posterior
Vascularização: Irrigação arterial:
Artéria espinal anterior, artérias espinais posteriores, artérias segmentares e radiculares (artéria radicular mais proeminente: artéria radicular magna ou artéria de Adamkiewicz).

Drenagem venosa:
Veias espinais anteriores e posteriores --> plexo vertebral interno (drena para os seios venosos durais) e plexo vertebral externo (drena para as veias intercostais e sistema ázigos)
Nervos espinais 31 pares de nervos que emergem da medula espinal para inervar as estruturas do corpo.
- 8 pares de nervos cervicais
- 12 pares de nervos torácicos
- 5 pares de nervos lombares
- 5 pares de nervos sacrais
- 1 par de nervos coccígeos
Conteúdo
  1. Anatomia
    1. Visão geral
    2. Estrutura externa
    3. Estrutura interna e tratos de substância branca
  2. Meninges da medula espinal
  3. Vascularização
    1. Irrigação arterial
    2. Drenagem venosa
  4. Nervos espinhais
  5. Arco reflexo
  6. Referências
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Anatomia

Visão geral

A medula espinal faz parte do sistema nervoso central, juntamente com o encéfalo. Ela é uma continuação dorsal do tronco encefálico, e se encontra no interior do canal vertebral, um canal ósseo formado pelos elementos posteriores e corpos das vértebras cervicais, torácicas e lombares.

Assim como a coluna vertebral, a medula espinal é dividida em segmentos: cervical, torácico, lombar, sacral e coccígeo. Cada segmento da medula emite vários pares de nervos espinais, que saem do canal vertebral através dos forames intervertebrais. Existem 8 pares de nervos espinais cervicais, 12 torácicos, 5 lombares, 5 sacrais e 1 coccígeo, totalizando 31 pares.

Existem duas intumescências ou dilatações na medula espinal, uma ao nível cervical (intumescência cervical) e outra ao nível lombossacral (intumescência lombar ou lombossacral). Essas regiões são mais proeminentes por acomodarem fibras nervosas relacionadas à inervação dos membros superiores e inferiores, respectivamente.

Longitudinalmente, a medula espinal se estende desde o forame magno até o nível da vértebra L1 ou L2, ocupando apenas os dois terços superiores do canal vertebral. Isso ocorre porque há uma desproporção entre o crescimento da medula espinal e da coluna vertebral. A medula espinal para de crescer por volta dos quatro anos de idade, enquanto a coluna vertebral continua crescendo até os 14 a 18 anos de idade. Assim, nos adultos, a coluna vertebral (e consequentemente o canal vertebral) são maiores que a medula espinal.

A porção terminal da medula espinal possui o formato de um cone com o ápice voltado para baixo, sendo por isso denominada cone medular. Um fino cordão de tecido conjuntivo se estende da extremidade do cone medular até a primeira vértebra coccígea (Co1). Esse cordão é conhecido como filum terminale, e ancora a medula espinal à coluna vertebral.

Estrutura externa

A superfície externa da medula espinal pode ser dividida em quatro faces: uma anterior ou ventral, uma posterior ou dorsal e duas faces laterais (direita e esquerda). Em cada uma dessas faces é possível identificar sulcos ou fissuras, que servem como referência anatômica.

Um sulco profundo cursa na face ventral da medula espinal ao longo de toda a sua extensão, chamado de fissura mediana anterior. Existe um correspondente na superfície dorsal da medula, conhecido como sulco mediano posterior, que entretanto é menos profundo. Há ainda os sulcos anterolaterais, que situam-se lateralmente à fissura mediana anterior, um à direita e outro à esquerda. Esses sulcos marcam o local de saída das raízes ventrais dos nervos espinais. Na face posterior da medula espinal há sulcos correspondentes, chamados de sulcos posterolaterais, que marcam a entrada das raízes dorsais dos nervos espinais.

Estrutura interna e tratos de substância branca

Assim como o restante do sistema nervoso central, a medula espinal possui dois componentes principais: a substância cinzenta, que contém principalmente os corpos dos neurônios, e a substância branca, que contêm principalmente os axônios.

Enquanto no encéfalo a substância cinzenta está distribuída principalmente na periferia, formando o córtex cerebral, na medula espinal é o contrário: a substância cinzenta encontra-se na parte mais central. Essa substância cinzenta central possui uma configuração peculiar, com um formato semelhante ao de uma letra “H”, referido por alguns autores também como semelhante ao de uma borboleta.

A porção mais anterior, ou ventral, de cada uma das “asas da borboleta” representa o corno anterior, e contém os corpos dos neurônios motores. As fibras nervosas aferentes das raízes dorsais dos nervos espinais entram na medula espinal pelo sulco posterolateral e atingem o corno posterior, que portanto tem função primariamente sensitiva. Entre os níveis T1 e L3 há ainda um corno lateral (ou corno intermédio-lateral), situado entre os cornos anterior e posterior, contendo neurônios do sistema nervoso simpático.

Aprenda os detalhes sobre a substância cinzenta da medula espinal de forma rápida e eficiente com a videoaula a seguir:

No centro da substância cinzenta medular há um canal central que contém liquor, se estendendo ao longo de toda a medula espinal e cranialmente se comunica com a cavidade do quarto ventrículo.

A substância branca da medula espinal está disposta externamente à substância cinzenta, circunscrevendo-a. Ela é dividida em três funículos: anterior, lateral e posterior.

Cada um dos funículos da medula espinal contém tratos ascendentes e/ou descendentes de substância branca, que são as vias de transmissão dos impulsos nervosos entre o cérebro e os demais órgãos e tecidos.

Tratos de substância branca da medula espinal
Funículo anterior Trato ascendente:
- Trato espinotalâmico anterior
Tratos descendentes:

- Trato corticoespinal anterior
- Trato vestibuloespinal
- Trato tectoespinal
- Trato reticuloespinal
Funículo lateral Tratos ascendentes:
- Trato espinocerebelar posterior
- Trato espinocerebelar anterior
- Trato espinotalâmico lateral
- Trato espinotectal
- Trato dorsolateral (de Lissauer)
- Trato espinoreticular
- Trato espino-olivar
Tratos descendentes:

- Trato corticoespinal lateral
- Trato rubroespinal
- Trato reticuloespinal lateral
- Tratos autonômicos descendentes
- Trato olivoespinal
Funículo posterior Tratos ascendentes:
- Fascículo grácil
- Fascículo cuneiforme

A forma mais fácil de dominar os tratos de substância branca da medula espinal é assistir à videoaula abaixo:

Meninges da medula espinal

A medula espinal e as raízes dos nervos espinais são revestidas por três camadas meníngeas, que determinam a existência de espaços ou compartimentos entre elas.

  • A camada mais interna é a pia-máter, que está firmemente aderida à superfície da medula espinal.
  • A camada intermediária é chamada de aracnoide. Entre a pia-máter e a aracnoide há um espaço preenchido por liquor, conhecido como espaço subaracnóideo. O espaço subaracnóideo da medula espinal é contínuo com o do encéfalo, permitindo que o liquor circule entre esses compartimentos.
  • A camada meníngea mais externa é a dura-máter. O espaço virtual situado entre a aracnoide e a dura-máter é chamado de espaço subdural.

Externamente à dura-máter, entre esta meninge e a superfície interna do canal vertebral, há um espaço conhecido como espaço epidural, ou peridural. É nesse local que ocorre a aplicação da anestesia epidural, muito utilizada durante o parto.

Consolide o que você aprendeu sobre o revestimento meníngeo da medula espinal com o teste abaixo:

Vascularização

Irrigação arterial

As principais artérias que irrigam a medula espinal têm origem nas artérias vertebrais.

  • A artéria espinal anterior é formada pela junção dos ramos espinais anteriores, que têm origem a partir de cada uma das artérias vertebrais. Essa artéria cursa inferiormente ao longo da fissura mediana anterior, e é responsável pela irrigação dos dois terços anteriores da medula espinal.
  • As artérias espinais posteriores são um par de artérias que se originam a partir das artérias vertebrais e cursam inferiormente junto à face posterior da medula, ao longo dos sulcos posterolaterais. Essas artérias são responsáveis pela irrigação do terço posterior da medula espinal.

Além dos ramos das artérias vertebrais, diversas outras artérias contribuem para a irrigação da medula espinal. Essas são chamadas de artérias segmentares, já que irrigam cada segmento medular.

No segmento cervical, essas são compostas principalmente por ramos da artéria subclávia. Nos segmentos torácico e lombar elas correspondem a ramos da aorta descendente, como os ramos espinais das artérias intercostais posteriores e as artérias lombares. Essas artérias segmentares geralmente emitem ramos radiculares, que irrigam as raízes dos nervos espinais e formam anastomoses locais ao nível da medula espinal. Geralmente uma das artérias radiculares se destaca por suas maiores dimensões, sendo chamada de artéria radicular magna, ou artéria de Adamkiewicz. Sua localização é variável, geralmente entre os níveis de T9 e L1. Essa artéria se anastomosa com a artéria espinal anterior, e tem grande importância na irrigação dos segmentos mais inferiores da medula espinal.

Drenagem venosa

A drenagem venosa da medula é análoga à sua irrigação arterial. Um número variável de veias espinais anteriores e posteriores, situadas na fissura mediana anterior e no sulco mediano posterior, respectivamente. Também há veias radiculares, análogas às artérias radiculares, incluindo uma veia radicular mais proeminente, chamada de veia radicular magna. Essa, no entanto, situa-se junto à face dorsal da medula espinal, ao contrário da sua correspondente arterial, que se encontra na face ventral da medula. As veias espinais e radiculares formam uma rede de anastomoses, formando um plexo venoso no espaço epidural, conhecido como plexo venoso interno, que por sua vez drena para os seios venosos durais.

Essa via de drenagem se comunica ainda com outro plexo venoso, chamado de plexo vertebral externo, que drena para as veias intercostais e para o sistema ázigos. Assim, a drenagem venosa da medula espinal pode seguir dois caminhos, dependendo das circunstâncias de pressão sobre o sistema venoso: seguir cranialmente, em direção aos seios venosos durais, ou caudalmente, em direção às veias intercostais e ao sistema ázigos.

Aproveite esse momento para testar se realmente aprender tudo sobre a vascularização da medula espinal com o teste abaixo. Testar seus conhecimentos é a forma mais eficiente de aprender anatomia:

Nervos espinhais

Os nervos espinais são agrupados de acordo com o segmento da medula espinal a partir do qual se originam. Assim, há nervos cervicais (C1 a C8), torácicos (T1 a T12), lombares (L1 a L5), sacrais (S1 a S5) e coccígeo.

A segmentação da medula espinal diz respeito ao período intra-uterino, quando a medula espinal ocupa toda a extensão do canal vertebral. Na idade adulta alguns segmentos da medula estão localizados mais cranialmente do que suas vértebras correspondentes. Essas diferenças são mais evidentes nos segmentos mais inferiores da medula espinal.

Os nervos espinais, no entanto, deixam a coluna vertebral pelos forames intervertebrais correspondentes. No segmento cervical, em que há oito nervos e apenas sete vértebras, os nervos deixam a coluna acima das suas vértebras correspondentes. O nervo C8 deixa a coluna no forame intervertebral localizado entre a sétima vértebra cervical (C7) e a primeira vértebra torácica (T1). Os nervos torácicos, lombares e sacrais deixam a coluna vertebral através dos forames intervertebrais imediatamente abaixo da vértebra correspondente.

Como a medula espinal se estende inferiormente somente até o nível de L1 ou L2, os nervos espinais mais caudais continuam inferiormente além do nível do cone medular, para deixar o canal vertebral nos forames intervertebrais correspondentes. Essas raízes situadas inferiormente ao cone medular são chamadas de cauda equina, que significa “cauda de cavalo”.

Cada nervo espinal possui uma raiz ventral e uma dorsal. As raízes ventrais se originam dos cornos anteriores da substância cinzenta, deixam a medula espinal no sulco anterolateral e transmitem informações motoras. As raízes dorsais se originam dos cornos posteriores da substância cinzenta e deixam a medula pelo sulco posterolateral da medula espinal. Elas transmitem informações sensitivas.

As raízes ventrais e dorsais se fundem imediatamente antes do forame intervertebral, formando o tronco do nervo espinal. Esse tronco é curto, e após atravessar o forame intervertebral se divide em quatro ramos: anterior, posterior, comunicante e meníngeo.

Arco reflexo

Uma grande parte da função da medula espinal está sob a influência do encéfalo, uma vez que ela age transmitindo informações do deste órgão para a periferia e vice-versa. Mas existem muitos reflexos que são originados na medula espinal de forma independente do encéfalo. Os reflexos espinais podem ser monossinápticos ou polissinápticos.

Os reflexos monossinápticos ocorrem com apenas dois neurônios participando do arco reflexo, um sensitivo e outro motor. O neurônio de primeira ordem (sensitivo) está localizado no gânglio espinal, enquanto o neurônio de segunda ordem (motor) se localiza no corno anterior da medula espinal. O neurônio sensitivo reúne os impulsos provenientes do músculo e envia essa informação para o neurônio motor, que inerva o mesmo músculo. O neurônio motor então causa a contração do músculo inervado. Um exemplo de reflexo monossináptico é o reflexo de estiramento (ou reflexo miotático).

Os reflexos polissinápticos, por outro lado, envolvem múltiplos neurônios. Além de um neurônio sensitivo e um neurônio motor, há também um ou mais interneurônios entre eles, tornando essa comunicação indireta. Eles são mais complexos do que os reflexos monossinápticos, uma vez que envolvem grupos musculares inteiros, em vez de um único músculo. Um exemplo é o reflexo de retirada.

Agora você está pronto para fazer o teste compilando tudo o que você acabou de aprender. Esta é uma ótima forma de solidificar seus conhecimentos.

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“Eu diria honestamente que o Kenhub diminuiu o meu tempo de estudo para metade.” – Leia mais. Kim Bengochea Kim Bengochea, Universidade de Regis, Denver

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