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Córtex cerebral

O cérebro consiste, basicamente, em dois hemisférios que estão parcialmente ligados entre si ao longo do plano sagital. Esses hemisférios são os hemisférios cerebrais direito e esquerdo, que ocupam a maior parte da cavidade craniana, superiormente ao pavimento das fossas craniana anterior e média. Um dos hemisférios é normalmente o dominante, mas o outro é igualmente importante para o funcionamento do sistema nervoso.

As funções do cérebro são numerosas. São literalmente todas as funções em que conseguir pensar, incluindo o próprio processo de pensar.

É por esse motivo que o cérebro tem uma grande necessidade de oxigênio e glicose, e é muito sensível à falta de qualquer um destes dois.

Este artigo irá descrever a anatomia geral do cérebro, incluindo os estados clínicos que lhe estão mais frequentemente associados.

Fatos importantes
Estrutura do cérebro Substância cinzenta (córtex) - localizada superficialmente, macroscopicamente com a aparência de uma superfície com sulcos e giros (circunvoluções), ultraestruturalmente contém corpos de neurônios corticais agrupados em camadas
Substância branca - localizada profundamente à substância cinzenta, contém (principalmente) axônios mielinizados que formam vias neuronais
Camadas corticais Plexiforme (molecular) - contém dendritos apicais e aferentes não específicos
Granular externa - células granulares que funcionam como interneurônios para eferências não específicas
Piramidal externa - células piramidais de pequeno e médio tamanho
Granular interna - células granulares que funcionam como interneurônios para eferências específicas
Piramidal interna - células piramidais grandes
Camada multiforme - células de formas variadas
Faces corticais Súpero-lateral, medial, inferior
Lobos corticais Frontal, parietal, temporal, occipital
Vascularização Polígono de Willis (artérias cerebrais anterior, média e posterior)
Relações clínicas Doença de Alzheimer, doença de Lafora, lisencefalia, afasia motora

Cérebro

Um hemisfério, geralmente o esquerdo, em uma pessoa destra, é ligeiramente maior do que o outro e constitui o hemisfério dominante. O controlo motor da fala está confinado à área de Broca (que corresponde às áreas de Brodmann 44 e 45), que geralmente é encontrada apenas no hemisfério dominante. Essas e outras áreas do cérebro irão ser descritas detalhadamente, com base no mapeamento de Brodmann do córtex cerebral, em “Áreas Funcionais do Córtex Cerebral”. 

Cada hemisfério é composto por substância cinzenta, substância branca, vasos sanguíneos (por exemplo, o polígono de Willis), fluidos - o líquido cefalorraquidiano (LCR) - e, entre outros, um conjunto de cavidades como os ventrículos do cérebro. Contudo, as substâncias cinzenta e branca são as principais estruturas neuronais do cérebro.

Videoaula recomendada: Ventrículos do cérebro
Sistema ventricular do cérebro e estruturas vizinhas.

Substância branca

A substância branca consiste nas fibras nervosas (axônios dos neurônios) localizadas em cada hemisfério cerebral, profundamente ao córtex cerebral. Essencialmente, a substância branca liga o córtex cerebral a outras regiões cerebrais e áreas idênticas nos dois hemisférios. Estas são as três categorias de substância branca: 

  • Fibras de projeção – têm origem na substância cinzenta e terminam em outras regiões do cérebro ou áreas e núcleos subcorticais.
  • Fibras de associação – estas fibras fazem a ligação entre diferentes regiões do córtex cerebral dentro de um único hemisfério.
  • Fibras comissurais – ligam áreas idênticas dos córtices (plural de córtex) dos hemisférios cerebrais direito e esquerdo (isto é, ligam áreas idênticas nos dois hemisférios). O maior feixe de fibras comissurais é o corpo caloso.

Substância cinzenta

A substância cinzenta consiste nos corpos dos neurônios (as células do sistema nervoso). A substância cinzenta inclui o córtex cerebral (veja abaixo), assim como outras áreas subcorticais, como o tálamo, o hipotálamo e os núcleos da base.

Córtex cerebral

O córtex cerebral é a camada mais superficial do cérebro, e compõe a maior parte da substância cinzenta do cérebro. Existe também um córtex cerebeloso, que forma a camada superficial do cerebelo (ou pequeno cérebro).

O córtex cerebral tem 2-5 mm de espessura, e é responsável por cerca de 80% da massa total do cérebro. Estima-se que a sua área total seja de cerca de 2000 cm2. O córtex cerebral tem uma série complicada de pregas tortuosas, os giros (circunvoluções), e entre estes giros (circunvoluções) existem indentações, denominadas sulcos.

Os sulcos são pequenas indentações. No córtex cerebral também existem grandes indentações, mas denominadas fissuras. As fissuras dividem o córtex cerebral em lobos, e também dividem o cérebro em hemisférios cerebrais direito e esquerdo ao longo do plano sagital. A fissura responsável por esta divisão é a fissura longitudinal medial.

As funções cognitivas e o processamento de informação de nível mais elevado ocorrem no córtex cerebral. Algumas funções do córtex cerebral incluem pensamento e raciocínio, memória, consciência, atenção, consciência perceptiva e linguagem.

Embriologia

O córtex cerebral é uma das primeiras estruturas a desenvolver-se durante o desenvolvimento do sistema nervoso central (SNC) na neurulação. Por volta do 18.º dia, a placa neural invagina ao longo do seu eixo central para formar um sulco neural mediano longitudinal, com pregas neurais de cada lado. As pregas neurais tornam-se particularmente proeminentes na extremidade cranial do embrião e são os primeiros sinais de desenvolvimento do cérebro. A neurulação continua até o final da 3.ª semana e é completada no final da 4.ª semana do desenvolvimento embrionário. No entanto, durante a 5.ª semana, o prosencéfalo divide-se parcialmente em duas vesículas cerebrais secundárias, o telencéfalo e o diencéfalo.

Os neurônios do neocórtex têm origem na zona ventricular (ZV) - um epitélio proliferativo pseudoestratificado contendo células tronco (estaminais) neurais multipotentes localizadas na face ventricular profunda da parede telencefálica. Além disso, os neurônios neocorticais excitatórios são produzidos na ZV do pallium dorsal, surgindo de divisões assimétricas dos progenitores da glia radial. Esses neurônios neocorticais excitatórios migram, principalmente, ao longo dos processos gliais radiais.

Na ZV do neuroepitélio cortical, a glia radial primeiro produz neurônios excitatórios, muitos dos quais migram radialmente para constituir a pré-placa embrionária e as camadas corticais mais profundas. Mais tarde no processo de desenvolvimento, as divisões da glia radial produzem células chamadas de progenitores intermediários que se destacam da superfície da ZV e se agregam em uma zona sobrejacente à ZV, formando a zona subventricular (ZSV). Sob o controle do fator de transcrição Pax6 e expressão da Svet1 e Tbr2, as células da ZSV sofrem uma a três divisões celulares e depois migram para formar o neocórtex. O neocórtex, de acordo com a evolução, é o córtex cerebral desenvolvido mais recentemente, e é o córtex cerebral primitivo com seis camadas. Constitui a maior parte do córtex cerebral e recobre os hemisférios cerebrais esquerdo e direito, sendo o resto maioritariamente alocórtex.

Histologia

O exame microscópico revela que o córtex cerebral é predominantemente composto por dois tipos de neurônios:

  • Células piramidais - têm um corpo celular cônico de mais de 30 µm de diâmetro, e um dendrito apical e muitos dendritos basais, bem como um axônio que deixa a base da célula para a substância branca. Estes neurônios formam as células eferentes do córtex cerebral.
  • Células granulares - são pequenas células que têm um corpo celular redondo de menos de 10 µm de diâmetro. As células granulares servem como interneurônios, recebendo aferências de fibras corticais aferentes e fazendo sinapse com neurônios eferentes (isto é, células piramidais) do córtex cerebral.

O córtex cerebral também está organizado em seis camadas ou lâminas horizontais (embora os limites das camadas não sejam muito óbvios nas secções habituais). Cada uma dessas camadas tem papéis diferentes e varia em espessura relativa entre as diferentes regiões corticais (por exemplo, uma região somatossensorial como as áreas 1, 2 e 3 de Brodmann tem uma camada granular interna espessa em comparação com as suas camadas piramidais; uma região motora como a área 4 de Brodmann tem uma camada piramidal interna espessa em comparação com as suas próprias camadas de células granulares). As camadas celulares do córtex cerebral, de superficial para profunda, são:

  1. Camada plexiforme ou molecular - é uma camada de fibras, com dendritos apicais e aferentes não específicos.
  2. Camada granular externa - interneurônios para aferência não específicas.
  3. Camada piramidal externa - composta de células pequenas e médias, com eferências de associação curtas.
  4. Camada granular interna - composta por interneurônios para aferências específicas.
  5. Camada piramidal interna ou ganglionar - composta por células grandes com longas eferências de projeção ou associação.
  6. Camada polimórfica ou multiforme - composta por células de formato variável com longas eferências de projeção ou associação.

Anatomia macroscópica

O córtex cerebral é formado por três grandes faces, a saber:

  • face súpero-lateral
  • face medial
  • face inferior

Embora o córtex cerebral tenha faces, estas não são suaves devido ao seu desenvolvimento embrionário. As faces caracterizam-se por elevações ou dobras chamadas giros (circunvoluções) e depressões chamadas sulcos. Estes sulcos definem cada giro (circunvolução), enquanto que os grandes sulcos chamados fissuras (como descrito acima) limitam e dividem o córtex cerebral em quatro subdivisões principais, chamadas lobos, que são:

  • lobo frontal
  • lobo parietal
  • lobo temporal
  • lobo occipital

Estes lobos são nomeados de acordo com sua relação com os ossos do crânio. Assim, o lobo frontal é a parte que fica imediatamente profundamente ao osso frontal; junto ao osso parietal encontra-se o lobo parietal; o lobo temporal está próximo do osso temporal; e o lobo occipital encontra-se em relação com o osso occipital do crânio.

Outras características externas importantes do córtex cerebral são os pólos. Quando o cérebro é visto a partir de uma vista lateral, é possível reconhecer três extremidades pontiagudas em cada hemisfério cerebral. Essas extremidades pontiagudas são os polos do córtex cerebral. Esses pólos, que também são nomeados de acordo com a sua relação com os ossos cranianos, são:

  • polo frontal - anteriormente
  • polo occipital - posteriormente
  • polo temporal - entre os polos frontal e occipital, e aponta em sentido anterior e ligeiramente inferior.

Face súpero-lateral

O córtex da face súpero-lateral do córtex cerebral pode ser dividido no lobo frontal, lobo temporal, lobo parietal, lobo occipital e ínsula.

Lobo frontal

O lobo frontal, nesta face, é definido por uma fissura chamada sulco central (fissura de Rolando) que tem um sentido ântero-inferior, em direção a uma segunda fissura chamada sulco lateral (fissura de Sylvius), que também define este lobo. É ainda subdividido da seguinte forma: um sulco denominado sulco pré-central, com sentido ântero-inferior, é paralelo e um pouco anterior ao sulco central (fissura central). A área entre este sulco e o sulco central é chamada de giro (circunvolução) pré-central. Na região anterior ao giro (circunvolução) pré-central, existem dois sulcos que com sentido ântero-posterior, os sulcos frontais superior e inferior. Esses sulcos dividem esta região em giros (circunvoluções) frontais superiores, médios e inferiores.

O limite inferior do lobo frontal é dividido pelos ramos do sulco lateral em 3 partes:

  • Parte orbital
  • Parte triangular
  • Parte opercular

A parte inferiormente ao ramo anterior é a parte orbital, a que se encontra entre os ramos anterior e ascendente é a parte triangular (em forma de triângulo), e a parte posterior ao ramo ascendente é a parte opercular.

Lobo temporal

Este lobo é definido, na face súpero-lateral, pelo sulco lateral e pelo sulco temporal inferior (fissura temporal inferior). Tem ainda dois sulcos que correm paralelos ao ramo posterior do sulco lateral (que é o terceiro ramo que se origina do sulco lateral). Estes dois sulcos são denominados sulcos temporais superior e inferior e dividem a face súpero-lateral do lobo temporal em giros (circunvoluções) temporais superior, médio e inferior.

Lobo parietal

Este lobo define-se, na face súperolateral, pelo sulco central, anteriormente, e o sulco parieto-occipital, posteriormente.

O sulco parieto-occipital junta-se ao sulco temporal inferior por uma linha imaginária. Inferiormente, o lobo é limitado pelo ramo posterior do sulco lateral e uma linha imaginária que se dirige posteriormente a partir deste ramo do sulco lateral para se juntar ao ponto em que a primeira linha imaginária e o sulco temporal inferior se encontram.

No lobo parietal, um sulco, o sulco pós-central, dirige-se ântero-inferiormente, paralelamente e um pouco posteriormente ao sulco central, definindo assim um giro (circunvolução). Esse giro (circunvolução) é o giro (circunvolução) pós-central e está localizado entre o sulco pós-central e o sulco central. O que resta do lobo parietal é dividido em um lóbulo parietal superior e um lóbulo parietal inferior pelo sulco intraparietal, que tem um sentido ântero-posterior.

NOTA: Estes dois últimos são chamados de lóbulos por serem ligeiramente maiores do que um giro (circunvolução).

Lobo occipital

Este lobo é limitado, anteriormente, pelo sulco parieto-occipital, pela primeira linha imaginária e pela extremidade posterior do sulco temporal inferior. Exibe três pequenos sulcos. Um deles, o sulco occipital lateral, encontra-se na horizontal e divide o lobo em giros (circunvoluções) occipitais superiores e inferiores. O segundo sulco é o sulco semilunar, que se dirige inferiormente e um pouco anteriormente, e define uma faixa vertical, mesmo anteriormente a ele. Esta faixa é chamada de giro (circunvolução) descendente.

O terceiro é o sulco occipital transverso, localizado na parte superior do lobo occipital. O sulco occipital transverso define uma área que lhe é superior. Essa área é chamada de arco parieto-occipital (como o próprio nome sugere, pertence parcialmente ao lobo parietal e parcialmente ao lobo occipital). O arco parieto-occipital arqueia-se sobre o sulco parieto-occipital, que é na verdade uma fissura da face medial, mas que atinge a face súpero-lateral.

Lobo insular

Insula é uma palavra latina que significa ilha. É uma parte do córtex cerebral que não pertence a nenhum dos quatro lobos descritos acima e, hoje, é considerado outro lobo (lobo insular). Está localizado profundamente, no tronco e ramo posterior do sulco lateral. A face da ínsula é dividida em vários giros (circunvoluções).

Durante o desenvolvimento do córtex cerebral, a ínsula cresce menos do que as áreas circundantes que, portanto, se sobrepõem e a ocluem da vista da superfície. Estas áreas vizinhas são chamadas de opérculos (que significa tampas), que são três em número:

  • O opérculo frontal: encontra-se entre os ramos anterior e ascendente do sulco lateral
  • O opérculo frontoparietal: encontra-se superiormente ao ramo posterior do sulco lateral
  • O opérculo temporal: encontra-se inferiormente ao ramo posterior do sulco lateral. Este opérculo tem uma face superior que está escondida de vista na profundidade do sulco lateral

Face medial

Tal como a face súpero-lateral, esta face também é marcada por sulcos e giros (circunvoluções). Além disso, alguns sistemas de fibras de substância branca podem ser vistos nesta face. O corpo caloso é uma estrutura proeminente nesta face. O terceiro ventrículo do cérebro, bem como outras estruturas relacionadas, como o forame (buraco) interventricular (de Monro), através do qual o terceiro ventrículo se comunica com os ventrículos laterais, também pode ser visto na face medial. Outras estruturas vistas nesta superfície incluem o tálamo, o hipotálamo e o aqueduto cerebral (de Sylvius).

Anterior, posterior e superiormente ao corpo caloso encontram-se os sulcos e giros (circunvoluções) da face medial do córtex cerebral. O mais proeminente dos sulcos é o sulco do cíngulo, que segue um curso curvo paralelamente à margem convexa superior do corpo caloso. Anteriormente, o sulco do cíngulo termina inferiormente ao rostro do corpo caloso e, posteriormente, vira-se superiormente, alcançando o limite súpero-medial, um pouco posteriormente à extremidade superior do sulco central. A área entre o sulco do cíngulo e o corpo caloso é o giro (circunvolução) do cíngulo (ou cingulado). Assim, o giro (circunvolução) é limitado pelo sulco do cíngulo superiormente e pelo corpo caloso inferiormente (mais especificamente, pelo sulco caloso em torno do corpo caloso).

Superiormente ao sulco do cíngulo, até ao limite da borda súpero-medial, encontra-se uma área que consiste em duas partes. Uma parte posterior menor, que em torno do final do sulco central, chamada de lóbulo paracentral, e que é separada da parte anterior por um sulco muito curto, que é contínuo com o sulco do cíngulo. A parte anterior maior (que fica em anteriormente a esse pequeno sulco) é chamada de giro (circunvolução) frontal medial.

A porção posterior ao lóbulo paracentral e ao giro do cíngulo mostra dois sulcos principais que cortam uma área triangular. Essa área é chamada de cuneus (cunha). Esta área triangular é limitada anteriormente e superiormente pelo sulco parieto-occipital (que cruza a borda súpero-medial para aparecer como um sulco muito curto na superfície súpero-lateral), inferiormente pelo sulco calcarino e posteriormente pelo limite súpero-medial do córtex cerebral. O sulco calcarino estende-se para além de sua junção com o sulco parieto-occipital e termina um pouco abaixo do esplênio do corpo caloso (parte posterior do corpo caloso) para definir uma pequena área denominada istmo, que se encontra entre o sulco calcarino e o esplênio do corpo caloso.

Entre o sulco parieto-occipital e o lóbulo paracentral, encontra-se uma área quadrilátera chamada precuneus (pré-cunha). Antero-inferiormente, o precuneus (pré-cunha) é separado da parte posterior do giro (circunvolução) do cíngulo pelo sulco supraesplênico (subparietal). O precuneus (pré-cunha) e a parte posterior do lóbulo paracentral formam a face medial do lobo parietal.

Face inferior

Esta face do córtex cerebral também é marcada por sulcos que definem alguns giros (circunvoluções) na face inferior. De modo semelhante à face medial, é possível ver algumas estruturas de substância branca na face inferior. No entanto, a nossa discussão será limitada ao córtex cerebral nesta face. As características do córtex cerebral nesta face podem ser facilmente descritas dividindo-se a face ao longo do tronco do sulco lateral, para formar duas partes:

  • uma parte orbitária (ou face orbitária)
  • uma parte tentorial (ou face tentorial)

Perto do limite medial da face orbitária, há um sulco ântero-posterior chamado de sulco olfativo. Este sulco tem esse nome porque o bulbo e o trato (fita) olfatórios se encontram superficiais a ele (portanto, o sulco também não é visualizado em vista superficial).

A área medial a esse sulco é chamada de giro (circunvolução) reto. O que resta da face orbital é dividido pelo sulco orbitário em forma de H nos giros (circunvoluções) orbitários anterior, posterior, medial e lateral.

A parte tentorial da face inferior é marcada por dois sulcos principais que correm em direção ântero-posterior: o sulco colateral, medialmente, e o sulco occipito-temporal, lateralmente.

A parte posterior do sulco colateral corre paralelamente ao sulco calcarino; a área entre eles é o giro (circunvolução) lingual. Anteriormente, o giro (circunvolução) lingual torna-se contínuo com o giro (circunvolução) para-hipocampal, que se relaciona medialmente com o mesencéfalo e a fossa interpeduncular. A extremidade anterior do giro (circunvolução) para-hipocampal é cortada do polo temporal curvo do hemisfério cerebral por um sulco rinal curvo. Esta parte do giro (circunvolução) para-hipocampal forma uma estrutura semelhante a um gancho chamada uncus. Posteriormente, este giro (circunvolução) torna-se contínuo com o giro (circunvolução) do cíngulo através do istmo. A área entre o sulco colateral e o sulco rinal, medialmente, e o sulco occipito-temporal, lateralmente, é chamada de giro (circunvolução) occipito-temporal medial. Lateralmente ao sulco occipitotemporal, encontra-se uma área denominada giro (circunvolução) occipito-temporal lateral, que é contínua (em torno do bordo ínfero-lateral) com o giro (circunvolução) temporal inferior.

Áreas funcionais importantes

Foram reconhecidas funções específicas a algumas áreas do córtex cerebral há muito tempo. Essas áreas podem ser definidas de acordo com os giros (circunvoluções) e sulcos descritos acima. No entanto, muitos daqueles que estudaram a estrutura microscópica do córtex cerebral descobriram que há uma diferença considerável de região para região e que a definição dessas áreas funcionais não está confinada aos limites dos giros (circunvoluções) e sulcos, mas muitas vezes os ultrapassam. A maioria desses autores também elaborou “mapas” do córtex cerebral indicando áreas de estruturas diferentes. O esquema mais conhecido é o de Brodmann, que representou diferentes áreas do córtex por números. Os números e áreas mais comummente referidos são representados nos diagramas a seguir e assim descritos.

Área motora (córtex motor primário)

Esta é a área correspondente à área 4 de Brodmann e, possivelmente, a parte da área 6 que se encontra no giro (circunvolução= pré-central. A área motora está localizada no giro (circunvolução) pré-central, na face súpero-lateral, e na parte anterior do lóbulo paracentral, na face medial. Esta área do córtex é responsável pela iniciação do movimento voluntário. No entanto, regiões específicas dentro desta área são responsáveis ​​por movimentos em partes específicas do corpo. A estimulação do lóbulo paracentral produz movimento nos membros inferiores. O tronco e os membros superiores estão representados na parte superior do giro (circunvolução) pré-central, enquanto que a face e a cabeça estão representadas na parte inferior do giro (circunvolução). Este conceito é referido como “homúnculo” e, basicamente, mostra como o cérebro vê o corpo.

Outra característica interessante é que a área do córtex que representa uma parte do corpo não é proporcional ao tamanho real dessa parte, mas sim à complexidade dos movimentos na região. Assim, áreas relativamente grandes do córtex são responsáveis ​​por movimentos nas mãos ou nos lábios.

Área sensorial (córtex somatossensorial primário)

Esta área funcional está localizada no giro (circunvolução) pós-central. Corresponde às áreas 1, 3 e 2 de Brodmann. Estende-se para a face medial, a partir da face lateral, onde se encontra na parte posterior do lóbulo paracentral. Tal como a área motora, pode aplicar-se o conceito de homúnculo à área sensorial. É possível registrar as respostas da área sensorial quando partes individuais do corpo são estimuladas. O mapeamento da representação das várias partes do corpo na área sensorial mostra que o corpo é representado de cabeça para baixo. A área do córtex que recebe a sensação de uma parte específica do corpo não é proporcional ao tamanho dessa parte, mas sim à complexidade da sensação recebida dela. Assim, os dedos, lábios e a língua têm uma representação desproporcionalmente grande.

Na parte inferior do giro (circunvolução) pós-central (também chamado de opérculo frontoparietal) encontra-se outra importante área funcional responsável pela avaliação consciente do paladar. Essa área é chamada de área gustativa e corresponde à área 43 de Brodmann.

Vascularização

O córtex cerebral é vascularizado por ramos corticais das artérias cerebrais anterior, média e posterior. Estes ramos corticais têm a sua origem em uma rede de artérias anastomóticas que constituem um círculo de artérias que fornecem sangue ao cérebro. Esta rede de artérias é chamada de Círculo (ou Polígono) de Willis.

Nota clínica

Doenças neurodegenerativas, como a doença de Alzheimer ou a doença de Lafora, mostram uma marcada atrofia da substância cinzenta do córtex cerebral.

Lisencefalia

Refere-se a uma alteração da formação do cérebro, em que a face do córtex cerebral é desprovida de giros (circunvoluções) e sulcos, ficando lisa. As duas formas mais comuns de lisencefalia são: lisencefalia isolada e síndrome de Miller-Dieker (SMD). Além das anomalias do SNC observadas em ambas as formas de lisencefalia acima, os pacientes com SMD têm anomalias congênitas que afetam o coração, os rins e outros órgãos.

Outra característica da lisencefalia é que as camadas celulares (lâminas) do córtex cerebral são apenas quatro, ao invés das seis no córtex cerebral normalmente desenvolvido. Associa-se frequentemente a crises convulsivas.

Afasia motora

Consiste na incapacidade de falar, mesmo que os músculos em questão não estejam paralisados. Resulta de uma lesão na área da fala motora (de Broca), que se encontra no giro (circunvolução) frontal inferior - áreas 44 e 45 de Brodmann. Este defeito ocorre, geralmente, se o dano for no córtex cerebral esquerdo em pessoas destras, e no córtex direito em pessoas canhotas. Assim, o controle motor da fala está confinado a um hemisfério, que é geralmente o hemisfério que controla o membro superior dominante.

  1. Monoplegia contralateral e hemiplegia: Uma lesão localizada da área motora primária normalmente produz monoplegia contralateral. Uma lesão extensa pode causar hemiplegia. Lesões da área pré-motora levam a efeitos adversos em movimentos especializados.
  2. Desvio dos olhos e alterações da personalidade: Lesões do campo ocular frontal resultam em desvio de ambos os olhos para o lado da lesão. Portanto, se a lesão for no hemisfério direito, ambos os olhos se desviarão para a direita. Lesões das áreas pré-frontais levam a mudanças de personalidade.
  3. Anomalias resultantes de danos nas áreas somatossensoriais: Danos à área somatossensorial primária, área 1, levam a perda de sensibilidade do lado oposto do corpo. Se o dano for na área somatossensorial secundária, área 2, pode causar incapacidade de sentir dor e temperatura. Lesões em algumas áreas atrás da área sensorial principal (que são as áreas 5 e 7) interferem na capacidade de identificar objetos pelo toque. Lesões à área de Wernicke levam à incapacidade de compreender a fala.
  4. Agnosia verbal auditiva: resulta de lesões na área auditiva secundária (área 22 de Brodmann), e caracteriza-se por alterações na interpretação da fala. No entanto, como as áreas auditivas recebem impulsos de ambos os lados, uma lesão de um lado produz apenas uma perda parcial da audição.

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Mostrar referências

Referênces:

  • R.M.H McMinn: Last's anatomy (Regional and Applied), 9.ª edição, Ana-Maria Dulea (2014), p. 577-581, 586, 599-603.
  • I. Singh: Textbook of Human Neuroanatomy: Fundamental and Clinical, 8.ª edição, Jaypee (2009), p. 79-93, 214-222, 278 - 284.
  • K.L Moore and T.V.N Persaud: The Developing Human: Clinically Oriented Embryology, 8.ª edição, Saunders (2007), p. 62-64.
  • O. Reiner and P. J. Lombroso: Development of Cerebral Cortex: II. Lissencephaly. J.AM. Acad. Child Adolesc. Psychiatry (1998), volume 37, issue 2, p. 231-232.
  • E. H. Chudler: Functional Divisions of the Cerebral Cortex. (acessado em 10/01/2015).
  • A.J. Lemer: Cerebral Cortex. Encyclo of Neuro. Sci. (2014), volume2, p. 662–671.
  • R. Bailey: Cerebral cortex. (acessado em 10/01/2015).

Autor e Layout:

  • Benjamin Aghoghovwia
  • Catarina Chaves

Tradução para Português, revisão e layout:

  • Rafael Vieira
  • Catarina Chaves

Ilustrações:

  • Córtex cerebral - vista axial - Paul Kim
  • Córtex cerebral - lâmina histológica - Smart In Media
  • Substância branca - vista axial - Paul Kim
  • Substância branca - lâmina histológica - Smart In Media
  • Substância cinzenta - vista axial - Paul Kim
  • Substância cinzenta - lâmina histológica - Smart In Media
  • Cérebro fetal - lâmina histológica - Smart In Media
  • Córtex em desenvolvimento - lâmina histológica - Smart In Media
  • Células piramidais - lâmina histológica - Smart In Media
  • Célula piramidal do hipocampo - lâmina histológica - Smart In Media
  • Lobo frontal - vista lateral-direita - Paul Kim
  • Lobo parietal - vista lateral-esquerda - Paul Kim
  • Lobo temporal - vista lateral-esquerda - Paul Kim
  • Lobo occipital - vista lateral-esquerda - Paul Kim
  • Lobo frontal - vista lateral-esquerda - Paul Kim
  • Lobo frontal - vista axial - National Library of Medicine
  • Lobo temporal - vista inferior - Paul Kim
  • Lobo parietal - vista axial - National Library of Medicine
  • Lobo occipital - vista axial - National Library of Medicine
  • Giros curtos da ínsula - vista lateral-esquerda - Paul Kim
  • Lobo insular - vista coronal - Paul Kim
  • Corpo caloso - vista sagital - Paul Kim
  • Forame de Monro - vista lateral-esquerda - Paul Kim
  • Aqueduto cerebral - vista lateral-esquerda - Paul Kim
  • Cúneus - vista sagital - Paul Kim
  • Pré cúneus - vista sagital - Paul Kim
  • Sulco olfatório - vista inferior - Paul Kim
  • Giro reto - vista inferior - Paul Kim
  • Sulco colateral - vista inferior - Paul Kim
  • Sulco occipito-temporal - vista inferior - Paul Kim
  • Giro lingual - vista inferior - Paul Kim
  • Giro pré-central - vista coronal - Paul Kim
  • Giro pré-central - vista lateral-esquerda - Paul Kim
  • Giro pós-central - vista coronal - Paul Kim
  • Giro pós-central - vista axial - Paul Kim
  • Artéria cerebral anterior - vista inferior - Paul Kim
  • Artéria cerebral média - vista lateral-direita - Paul Kim
  • Artéria cerebral posterior - vista inferior - Paul Kim
  • Círculo arterial cerebral - vista inferior - Paul Kim
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