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“Eu diria honestamente que o Kenhub diminuiu o meu tempo de estudo para metade.” – Leia mais. Kim Bengochea Kim Bengochea, Universidade de Regis, Denver

Músculos do assoalho pélvico

O assoalho pélvico é formado primariamente por músculos esqueléticos espessos juntamente com ligamentos próximos e suas fáscias de revestimento. É um diafragma muscular em formato de bacia que ajuda a sustentar o conteúdo visceral da pelve. O principal foco deste artigo será nos músculos do assoalho pélvico. Sobre esse tópico, existem várias perguntas importantes que precisam ser respondidas:

  • Quais músculos compõem o assoalho pélvico?
  • Quais artérias e nervos suprem os músculos do assoalho pélvico?
  • O que causa a disfunção do assoalho pélvico?
  • Qual o melhor exercício para o assoalho pélvico?
Fatos importantes sobre os músculos do assoalho pélvico
Anatomia macroscópica Uma membrana muscular de espessura variável denominada diafragma
Músculos levantadores do ânus (puborretal, pubococcígeo e iliococcígeo) e coccígeo 
Pubococcígeo pode ser adicionalmente dividido em - puboperineal, puboprostático (homens), pubovaginal (mulheres), puboanal
Inserções Lateralmente - inserido no arco tendinoso do levantador do ânus
Posterolateralmente - inserido na espinha isquiática
Posteriormente - inserido ao sacro caudal e cóccix
Anteriormente - inserido na superfície posterior do pubis
Linha média - fibras formam uma rafe levantadora mediana
Irrigação sanguínea Ramos da divisão anterior da artéria ilíaca interna: vesical inferior, pudenda, glútea inferior
Inervação Nervo pudendo (S2, S3)
Ramos diretos de S4 (nervo para o levantador do ânus)
Embriologia Divisão epiaxial do miótomo sacrococcígeo
Função Previne o prolapso de órgãos pélvicos
Parto - sustenta e guia a apresentação fetal
Ajuda a manter a continência (tanto urinária quanto fecal)
Relevância clínica Prolapso de órgãos pélvicos
Exercícios de Kegel

Essas e outras questões vão ser abordadas à medida que discutimos a anatomia macroscópica e as funções dos músculos do assoalho pélvico. Os músculos piriforme e obturador interno não serão discutidos em grande detalhe, uma vez que são músculos primariamente dos membros inferiores. Os músculos que estão em discussão são aqueles que formam o limite inferior da pelve verdadeira e têm inserções somente em estruturas da pelve óssea.

Anatomia macroscópica

A pelve constitui um importante ponto de transição entre a região toracoabdominal e os membros inferiores. Além de ser importante para a deambulação, ela também abriga órgãos dos sistemas urogenital e digestivo baixo, e age como um conduto para artérias, veias, vasos linfáticos e nervos que são necessários para o funcionamento diário do organismo. A pelve é uma estrutura musculoesquelética composta por ossos do quadril (anca) e sacrococcígeos, juntamente com várias camadas de músculos. Ela pode ser adicionalmente dividida em pelve maior (falsa) ou pelve menor (verdadeira). A pelve falsa é a área ampla imediatamente acima da entrada, entre as asas ilíacas, enquanto a pelve verdadeira é a área entre a entrada e a saída da pelve. Ela tem duas paredes laterais, uma parede posterior (ossos sacrococcígeos) e um assoalho muscular.

A parte inferior da pelve é fechada por um diafragma muscular e uma membrana perineal conhecidos como assoalho pélvico. Existem duas (homens) ou três (mulheres) aberturas que permitem a saída de componentes das vísceras pélvicas no assoalho pélvico. Os músculos do assoalho pélvico contribuem para a manutenção da continência e ajudam a prevenir que os conteúdos da cavidade pélvica caiam através da sua abertura.

Músculos

Os músculos do assoalho pélvico são coletivamente referidos como músculo levantador do ânus e músculo coccígeo. Eles formam uma grande camada de músculo esquelético que é mais espessa em algumas áreas do que em outras. Os músculos estão inseridos ao longo da parte interna da pelve verdadeira até uma parte mais densa da fáscia obturatória conhecida como arco tendíneo do músculo levantador do ânus. Eles podem ser subdivididos baseado em seus pontos de inserção, assim como nos órgãos pélvicos com os quais eles se associam. Observe que o levantador do ânus é composto pelos músculos puborretal, pubococcígeo e iliococcígeo. O coccígeo (também conhecido como isquiococcígeo) não faz parte do levantador do ânus.

Diagrama dos Músculos do assoalho pélvico

A superfície pélvica do levantador do ânus é separada dos órgãos viscerais através das suas fáscias associadas. A superfície perineal atua como as paredes superior e medial da fossa isquioanal e seu recesso anterior, respectivamente. Há tecido conjuntivo frouxo entre a margem posterior do músculo e o cóccix. Finalmente, a saída dos órgãos viscerais separam a margem medial dos dois músculos.

Resumo dos músculos do assoalho pélvico
Puborretal Origem: Superfície posterior dos corpos dos ossos púbicos
Inserção: nenhuma (forma uma alça puborretal posterior ao reto)
Inervação: nervo para o levantador do ânus (S4)
Pubococcígeo Origem: superfície posterior dos corpos dos ossos púbicos (lateral ao puborretal)
Inserção: ligamento anococcígeo, cóccix, corpo perineal e musculatura da próstata/vagina
Inervação: nervo para o levantador do ânus (S4), ramos através dos ramos inferiores retais/perineais do nervo pudendo (S2-S4)
Iliococcígeo Origem: arco tendíneo da fáscia do obturador interno, espinha isquiática
Inserção: ligamento anococcígeo, cóccix
Inervação: nervo para o levantador do ânus (S4)
Coccígeo (Isquiococcígeo) Origem: espinha isquiática
Inserção: extremidade inferior do sacro, cóccix
Inervação: ramo anterior dos nervos espinhais S4-S5

Coccígeo (isquiococcígeo)

Algumas vezes considera-se que o músculo coccígeo (isquiococcígeo) faz parte do complexo do levantador do ânus, ao invés de ser um músculo separado por si só. Entretanto, na verdade esse músculo é uma estrutura separada que está situada na região mais posterosuperior do complexo muscular.

É uma bainha triangular de músculo com seu ápice inserido na superfície pélvica da ponta a espinha isquiática e a base inserida no quinto segmento sacral e nas margens laterais do cóccix. As fibras remanescentes do músculo convergem na linha média. O músculo se situa anteriormente à superfície pélvica do ligamento sacroespinhoso.

Iliococcígeo

A parte iliococcígea do levantador do ânus é anteroinferior ao músculo coccígeo e posterosuperior ao pubococcígeo. O músculo se estende lateralmente ao arco tendíneo do levantador do ânus. As fibras posterolaterais têm inserções na espinha isquiática (imediatamente inferior e anterior à inserção do músculo coccígeo), enquanto as fibras anterolaterais se inserem no canal obturatório. As fibras médias posterior se inserem à parte inferior do sacro e do cóccix.

A maioria das fibras o iliococcígeo se encontra com as fibras da metade contralateral do músculo para formar uma rafe mediana. A rafe - um sulco onde as duas metades do músculo se unem - é contínua com o ligamento anococcígeo e oferece um forte ponto de adesão posterior ao assoalho pélvico.

Pubococcígeo

O pubococcígeo é a parte intermediária dos músculos do levantador do ânus. As fibras anteriores surgem da superfície posterior do arco púbico e seguem posteriormente no plano horizontal. As fibras então decussam para se encontrar com as fibras do lado contralateral, para formar uma alça em torno das partes distais dos órgãos pélvicos. O pubococcígeo pode ser adicionalmente dividido baseado nas estruturas com as quais suas fibras estão intimamente relacionadas:

  • Puboperineal - as fibras mais internas seguem adjacentes à uretra e ao esfíncter associado à medida em que ela sai do assoalho pélvico. Em algumas ocasiões o músculo é chamado de pubouretral, uma vez que ele está associado à metade proximal da uretra e forma parte do complexo esfinceteriano.
  • Puboprostático (homens) e pubovaginal (mulheres) - outro grupo de fibras musculares passa ao redor da porção inferior da próstata (em homens) ou da parede posterior da vagina (em mulheres).
  • Puboanal - algumas fibras atravessam para o outro lado e se fundem com as fibras e a fáscia dos músculos retais longitudinais para formar a camada longitudinal conjunta do canal anal.

Aprender os músculos do corpo não é tarefa fácil. São muitos detalhes: origem, inserção, função, inervação, vascularização....ufa! Está precisando de uma ajuda? Facilite seu trabalho com a nossa apostila de exercícios sobre os músculos do corpo humano.

Puborretal

O puborretal passa atrás do reto ao longo da rafe do levantador como uma alça muscular se curvando ao redor da junção anorretal. Coletivamente, as subdivisões do pubococcígeo e o músculo puborretal são referidos como pubovisceral.

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Irrigação sanguínea

A divisão anterior da artéria ilíaca interna é responsável por irrigar o grupo de músculos do levantador do ânus com sangue oxigenado, rico em nutrientes. Seus três ramos terminais - as artérias pudenda, glútea inferior e vesical inferior - acessam e perfuram esses músculos para suprí-los. A drenagem venosa é realizada por veias de nomes similares.

Aprenda mais sobre o suprimento de sangue arterial e sobre a drenagem venosa do assoalho pélvico com estes recursos!

Inervação

Ramos do plexo sacral contribuem para a inervação do grupo de músculos do levantador do ânus. O nervo pudendo, que se origina do segundo ao quarto segmentos sacrais (S4-S4), inerva diretamente o músculo pubococcígeo. Ramos diretos que se originam do quarto segmento sacral formam o nervo para o levantador do ânus (S4), que também inerva o pubococcígeo.Os músculos remanescentes coccígeo e iliococcígeo são inervados por ramos diretos do quarto e do quinto segmentos (S4 e S5) do plexo sacral.

Verifique os recursos em baixo para consolidar o seu conhecimento sobre o plexo sacral e a inervação dos músculos do assoalho pélvico.

Função

Os músculos do assoalho pélvico são essencialmente estruturas de sustentação. Eles ajudam a manter as vísceras pélvicas no lugar e evitam que elas sejam empurradas para fora da pelve durante o esforço. Eles realizam essa tarefa através da sua contração involuntária no repouso, e também podem se contrair voluntariamente nos momentos de aumento da pressão intra-abdominal (vômito, espirro, tosse, carregamento de objeto pesado ou expiração forçada).

A contração dos músculos do levantador do ânus também fornece oclusão adicional aos excrementos das vísceras pélvicas. Em outras palavras, os músculos ajudam a manter tanto a continência urinária quanto a fecal até que o esvaziamento da bexiga e do intestino, respectivamente, sejam convenientes. O músculo puborretal é o que melhor demonstra essa função. Lembre-se que ele é uma alça muscular em formato de “U” que forma um arco ao redor da junção anorretal. Quando essa parte do músculo contrai, ela traciona a junção anorretal anteriormente, formando um ângulo de 90 graus entre o reto e o ânus. Dessa forma, o conteúdo fecal não consegue fluir livremente do reto. Para que a diurese (micção) e a defecação ocorra, os músculos do levantador do ânus precisam estar relaxados.

Os músculos do assoalho pélvico também providenciam sustentação adicional à apresentação fetal durante o parto - ou seja, a parte fetal mais perto da saída do útero. Eles mantém o feto estável enquanto o colo uterino dilata e se contrai. Eles também mantém a apresentação fetal no plano anteroposterior da saída da pelve para auxiliar no processo do parto.

Histologicamente, a maior parte dos músculos do assoalho pélvico é composta por fibras musculares de contração lenta, ou fibras musculares tipo I. A quantidade de fibras tipo I é importante devido à função dos músculos do assoalho pélvico descrita acima. Lembre-se que fibras tipo I são ideais para longos períodos de contração, enquanto as fibras tipo II são necessárias para respostas rápidas a mudanças fisiológicas.

Agora que você já estudou sobre os músculos desta região, que tal testar seus conhecimentos? Aprenda ainda mais e memorize o conteúdo com a ajuda dos nossos testes sobre os músculos do assoalho pélvico.

Embriologia

Os músculos do assoalho pélvico podem se contrair voluntariamente, logo são músculos esqueléticos. Isso significa que essas fibras musculares se originam de dermomiótomo dos somitos e sofrem um processo de transição de epitelial para mesenquimal. Vários fatores de transformação promovem a conversão das células mesenquimais para mioblastos (células musculares primitivas).

Mioblastos são caracterizados por núcleos e corpos celulares mais longos em comparação com suas células precursoras. Alguns desses mioblastos se fundem para formar os miotubos - células cilíndricas multinucleadas. À medida que a fusão acontece, miofibrilas ou outras organelas musculares esqueléticas aparecem no citoplasma da célula. À medida em que mais mioblastos vão sendo formados, eles migram de seus miótomos para formar grupos musculares não segmentados. Os do assoalho pélvico se originam da divisão epiaxial dos miótomos sacrococcígeos.

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