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Músculos do assoalho pélvico

O assoalho pélvico é formado por músculos esqueléticos espessos, juntamente com seus ligamentos e fáscias. É um diafragma muscular em formato de bacia, que ajuda a sustentar o conteúdo visceral da pelve. O principal foco deste artigo será nos músculos do assoalho pélvico. Sobre esse tópico, existem várias perguntas importantes que precisam ser respondidas:

  • Quais músculos compõem o assoalho pélvico?
  • Quais artérias e nervos suprem os músculos do assoalho pélvico?
  • O que causa a disfunção do assoalho pélvico?
  • Qual o melhor exercício para o assoalho pélvico?
Informações importantes sobre os músculos do assoalho pélvico
Definição Membrana muscular de espessura variável denominada diafragma pélvico
Músculos levantador do ânus (puborretal, pubococcígeo e iliococcígeo) e coccígeo
Pubococcígeo pode ser adicionalmente dividido em - puboperineal, puboprostático (homens), pubovaginal (mulheres), puboanal
Função Impede o prolapso de órgãos pélvicos
Parto - sustenta e guia a apresentação fetal
Ajuda a manter a continência (urinária e fecal)
Notas clínicas Prolapso de órgãos pélvicos
Exercícios de Kegel

Essas e outras questões vão ser abordadas à medida que discutimos a anatomia macroscópica e as funções da musculatura pélvica. Os músculos piriforme e obturador interno não serão discutidos em grandes detalhes, uma vez que são músculos dos membros inferiores. Os músculos que estão em discussão são aqueles que formam o limite inferior da pelve verdadeira e têm inserções somente em estruturas da pelve óssea.

Conteúdo
  1. Anatomia
  2. Músculos do assoalho pélvico
    1. Coccígeo (isquiococcígeo)
    2. Músculo levantador do ânus
  3. Vascularização
  4. Inervação
  5. Função
  6. Notas clínicas
    1. Prolapso de órgãos pélvicos
    2. Exercícios de Kegel
  7. Referências
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Anatomia

A pelve é um importante ponto de transição entre o tronco e os membros inferiores. Além de ser essencial para a deambulação, ela também abriga órgãos dos sistemas urogenital e digestivo, e age como um conduto para artérias, veias, vasos linfáticos e nervos. A pelve é uma estrutura musculoesquelética composta pelos ossos da bacia, juntamente com várias camadas de músculos.

A parte inferior da pelve é fechada pelo assoalho pélvico, formado por um diafragma muscular e uma membrana perineal. Existem duas (nos homens) ou três (nas mulheres) aberturas que permitem a saída de componentes dos órgãos pélvicos através de seu assoalho. Os músculos do assoalho pélvico contribuem para a manutenção da continência e ajudam a prevenir que o conteúdo da cavidade pélvica se desloque inferiormente.

Músculos do assoalho pélvico

Os músculos levantador do ânus e coccígeo são referidos em conjunto como músculos do assoalho pélvico. Eles formam uma grande camada de músculo esquelético que é mais espessa em algumas áreas do que em outras. Os músculos estão inseridos ao longo da parte interna da pelve verdadeira e na parte mais densa da fáscia obturatória, conhecida como arco tendíneo do músculo levantador do ânus. Eles podem ser subdivididos de acordo com seus pontos de inserção, bem como de acordo com os órgãos pélvicos com os quais se associam. Observe que o levantador do ânus é composto pelos músculos puborretal, pubococcígeo e iliococcígeo. O coccígeo (também conhecido como isquiococcígeo) não faz parte do levantador do ânus.

A superfície pélvica do levantador do ânus é separada dos órgãos viscerais através das suas fáscias associadas. A superfície perineal atua como as paredes superior e medial da fossa isquioanal e seu recesso anterior, respectivamente. Há tecido conjuntivo frouxo entre a margem posterior do músculo e o cóccix. Finalmente, a saída dos órgãos viscerais separam a margem medial dos dois músculos.

A superfície pélvica do levantador do ânus é separada dos órgãos viscerais pela sua fáscia. A superfície perineal forma as paredes superior e medial da fossa isquioanal e o seu recesso anterior. Entre a margem posterior do músculo e o cóccix encontramos tecido conjuntivo frouxo. Os pontos de saída dos órgãos pélvicos separam a margem medial dos músculos levantador do ânus e coccígeo.

Resumo dos músculos do assoalho pélvico
Puborretal Origem: Superfície posterior dos corpos dos ossos púbicos
Inserção:
nenhuma (forma uma alça puborretal posterior ao reto)
Inervação:
nervo para o levantador do ânus (S4)
Pubococcígeo Origem: superfície posterior dos corpos dos ossos púbicos (lateral ao puborretal)
Inserção:
ligamento anococcígeo, cóccix, corpo perineal e musculatura da próstata/vagina
Inervação:
nervo para o levantador do ânus (S4), ramos inferiores retais/perineais do nervo pudendo (S2-S4)
Iliococcígeo Origem: arco tendíneo da fáscia do obturador interno e espinha isquiática
Inserção:
ligamento anococcígeo, cóccix
Inervação:
nervo para o levantador do ânus (S4)
Coccígeo (Isquiococcígeo) Origem: espinha isquiática
Inserção:
extremidade inferior do sacro e cóccix
Inervação:
ramo anterior dos nervos espinhais S4-S5

Coccígeo (isquiococcígeo)

Alguns autores consideram que o músculo coccígeo (isquiococcígeo) faz parte do complexo do levantador do ânus. Entretanto, na verdade esse músculo é uma estrutura separada dos demais músculos que formam o levantador do ânus, e está situado na região posterossuperior deste complexo muscular.

Ele é um músculo triangular cujo ápice se insere na superfície pélvica da extremidade da espinha isquiática, enquanto sua base se insere no quinto segmento sacral e nas margens laterais do cóccix. As fibras remanescentes do músculo convergem na linha média. O coccígeo se situa anteriormente ao ligamento sacroespinal.

Informações importantes sobre o músculo coccígeo
Origem Espinha isquiática
Inserção Borda inferior do sacro, cóccix
Ação Suporte dos órgãos pélvicos, flexão do cóccix
Inervação Ramos anteriores dos nervos espinais S4 e S5
Vascularização Artérias vesical inferior, glútea inferior e pudenda

Músculo levantador do ânus

O músculo levantador do ânus é um músculo complexo, formado por três partes individuais: os músculos iliococcígeo, pubococcígeo e puborretal.

Informações importantes sobre o músculo levantador do ânus
Origens Puborretal: face posterior do corpo do púbis
Pubococcígeo:
face posterior do corpo do púbis (lateral ao puborretal)
Iliococcígeo:
arco tendíneo da fáscia obturatória, espinha isquiática
Inserções Puborretal: nenhuma (forma uma alça ao redor do reto)
Pubococcígeo:
ligamento anococcígeo, cóccix, corpo perineal e musculatura da próstata/vagina
Iliococcígeo:
ligamento anococcígeo, cóccix
Inervação Nervo do músculo levantador do ânus (S4).
O pubococcígeo recebe também inervação dos ramos retais/perineais inferiores do nervo pudendo (S2 a S4)
Vascularização Artérias glútea inferior, vesical inferior e pudenda
Função Estabilidade e suporte dos órgãos abdominais e pélvicos
Resistência ao aumento de pressão intra-abdominal
Abertura e fechamento do hiato do músculo levantador do ânus

Iliococcígeo

Ligamento anococcígel (vista inferior)

A parte iliococcígea do levantador do ânus situa-se anteroinferiormente ao músculo coccígeo e posterossuperiormente ao pubococcígeo. O músculo se estende lateralmente até o arco tendíneo do levantador do ânus, e suas fibras posterolaterais se inserem na espinha isquiática (imediatamente inferior e anterior à inserção do músculo coccígeo), enquanto suas fibras anterolaterais se inserem no canal obturatório. As fibras médias posteriores se inserem na parte inferior do sacro e do cóccix.

A maioria das fibras do iliococcígeo se encontra com as fibras da metade contralateral do músculo para formar uma rafe mediana. A rafe - um sulco onde as duas metades do músculo se unem - é contínua com o ligamento anococcígeo, e oferece um forte ponto de adesão posterior ao assoalho pélvico.

Pubococcígeo

O pubococcígeo é a parte intermediária do levantador do ânus. As fibras anteriores surgem da superfície posterior do arco púbico e seguem posteriormente no plano horizontal. Elas então decussam para se encontrar com as fibras do lado contralateral, formando uma alça em torno das partes distais dos órgãos pélvicos. O músculo pubococcígeo pode ser subdividido baseado nas estruturas com as quais suas fibras estão intimamente relacionadas:

  • Puboperineal - as fibras mais internas seguem adjacentes à uretra, à medida em que ela sai do assoalho pélvico. Em algumas ocasiões o músculo é chamado de pubouretral, uma vez que ele está associado à metade proximal da uretra e forma parte do seu complexo esfincteriano.
  • Puboprostático (homens) e pubovaginal (mulheres) - outro grupo de fibras musculares passa ao redor da porção inferior da próstata (assoalho pélvico masculino) ou da parede posterior da vagina (assoalho pélvico feminino).
  • Puboanal - algumas fibras atravessam para o lado oposto e se fundem com as fibras e a fáscia dos músculos retais longitudinais para formar a camada longitudinal do canal anal.

Aprender os músculos do corpo não é tarefa fácil. São muitos detalhes: origem, inserção, função, inervação, vascularização....ufa! Está precisando de uma ajuda? Facilite seu trabalho com a nossa apostila de exercícios sobre os músculos do corpo humano.

Puborretal

O puborretal passa atrás do reto, ao longo da rafe do levantador, como uma alça muscular que se curva ao redor da junção anorretal. Coletivamente, as subdivisões do pubococcígeo e o músculo puborretal são referidos como músculo pubovisceral.

Precisa de um reforço extra? Verifique os materiais abaixo sobre os músculos do assoalho pélvico.

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Vascularização

A divisão anterior da artéria ilíaca interna é responsável por irrigar o levantador do ânus. Seus três ramos terminais - as artérias pudenda, glútea inferior e vesical inferior - acessam e perfuram esses músculos para irrigá-los. A drenagem venosa é realizada por veias de nomes similares.

Aprenda mais sobre o suprimento de sangue arterial e sobre a drenagem venosa do assoalho pélvico com estes recursos!

Inervação

Ramos do plexo sacral contribuem para a inervação do levantador do ânus. O nervo pudendo, que se origina do segundo ao quarto segmentos sacrais (S2-S4), inerva diretamente o músculo pubococcígeo. Ramos diretos que se originam do quarto segmento sacral formam o nervo para o músculo levantador do ânus (S4), que também inerva o pubococcígeo. Os músculos remanescentes (coccígeo e iliococcígeo) são inervados por ramos diretos do quarto e do quinto segmentos (S4 e S5) do plexo sacral.

Confira os recursos abaixo para consolidar seu conhecimento sobre o plexo sacral e a inervação dos músculos do assoalho pélvico.

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Função

Os músculos do assoalho pélvico são essencialmente estruturas de sustentação. Eles ajudam a manter os órgãos pélvicos no lugar e evitam que eles sejam empurrados para fora da pelve durante o esforço. Eles realizam essa tarefa através da sua contração involuntária no repouso, e também podem se contrair voluntariamente nos momentos de aumento da pressão intra-abdominal (vômito, espirro, tosse, carregamento de peso ou expiração forçada).

Os músculos que formam o levantador do ânus ajudam a manter a continência urinária e fecal, até que o esvaziamento da bexiga e do intestino sejam convenientes. O músculo puborretal é o mais importante para essa função. Lembre-se que ele é uma alça muscular em formato de “U” que forma um arco ao redor da junção anorretal. Quando essa parte do músculo contrai, ela traciona a junção anorretal anteriormente, formando um ângulo de 90 graus entre o reto e o ânus. Dessa forma, o conteúdo fecal não consegue fluir livremente pelo reto. Para que a diurese (micção) e a defecação ocorram, os músculos do levantador do ânus precisam estar relaxados.

Os músculos do assoalho pélvico também fornecem sustentação adicional à apresentação fetal durante o parto - ou seja, a parte fetal mais perto da saída do útero. Eles mantêm o feto estável enquanto o colo uterino dilata e se contrai. Eles também mantêm a apresentação fetal no plano anteroposterior da saída da pelve para auxiliar no processo do parto.

Histologicamente, a maior parte dos músculos do assoalho pélvico é composta por fibras musculares de contração lenta, ou fibras musculares tipo I. A quantidade de fibras tipo I é importante devido à função dos músculos do assoalho pélvico, descrita acima. Lembre-se que fibras tipo I são ideais para longos períodos de contração, enquanto as fibras tipo II são necessárias para respostas rápidas a mudanças fisiológicas.

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