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Ossos do corpo humano

No corpo humano de um adulto existem um total de 206 ossos. Eles variam muito em dimensões, sendo o menor deles encontrado no ouvido médio e o maior, na coxa.

O conhecimento da estrutura óssea do corpo humano é essencial antes de qualquer prova de anatomia humana. Já na prática clínica ele é útil em diversas situações, mas especialmente nos traumas ósseos.

Neste artigo, nós iremos passar sistematicamente por todos os ossos do corpo, descrever sua localização e suas articulações. Além disso, iremos concluir com algumas notas clínicas utilizando a anatomia de superfície.

Principais ossos do corpo humano
Cabeça
Crânio: frontal, temporal (2), parietal (2), occipital, esfenoide, etmoide, martelo (2), bigorna (2), estribo (2)
Face: mandíbula, maxila (2), zigomático (2), nasal (2), lacrimal (2), palatino (2), vômer, concha nasal inferior (2), hioide, dentes (32 -> os dentes não estão incluídos nos 206 ossos considerados anteriormente)
Tronco Coluna vertebral: vértebras cervicais (7), vértebras torácicas (12), vértebras lombares (5), sacro, cóccix
Costelas: costelas verdadeiras (14), costelas falsas (6), costelas flutuantes (4)
Esterno
Membros superiores Região escapular: escápula (2), clavícula (2)
Braço: úmero (2)
Antebraço: rádio (2), ulna (2)
Punho: ossos carpais (16)
Mão: ossos metacarpais (10), falanges (28)
Membros inferiores Pelve: ílio (2), ísquio (2) e púbis (2)
Coxa: fêmur (2), patela (2)
Perna: tíbia (2), fibula (2)
: ossos tarsais (14), ossos metatarsais (10), falanges (28)
Conteúdo
  1. Articulações
    1. Articulações fibrosas
    2. Articulações cartilaginosas
    3. Articulações sinoviais
  2. Esqueleto axial
    1. Crânio
    2. Face
    3. Coluna vertebral
    4. Costelas
  3. Esqueleto apendicular
    1. Membro superior
    2. Membro inferior
  4. Classificação dos ossos
  5. Referências
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Antes de entrarmos nos ossos propriamente ditos, vamos estudar as articulações que os unem.

Articulações

Existem três tipos principais de articulações: fibrosa, cartilaginosa e sinovial.

Articulações fibrosas

Suturas – Essas articulações são formadas por fibras de tecido conjuntivo denso. Elas não permitem nenhum movimento (sinartroses). Exemplos incluem as articulações entre os ossos do crânio adulto.

Sindesmose – Essas articulações são comparáveis às suturas, mas possuem fibras (conexões ligamentares entre ossos) levemente mais longas. Assim elas permitem um pequeno grau de mobilidade (anfiartroses). Um exemplo é a membrana interóssea entre o rádio e a ulna.

Gonfose – Essas articulações são encontradas somente na cavidade oral. Nela uma estrutura que lembra um pino se encaixa entre a raiz do dente e o processo alveolar da maxila. Essa articulação também não permite movimentos (sinartrose), exceto quando dente de leite está prestes a cair para dar espaço para o surgimento do dente adulto.

Articulações cartilaginosas

Sínfises – Essas articulações permitem muito pouco movimento (anfiartroses), e são encontradas na linha mediana. Elas são mantidas unidas por fibrocartilagem, tipicamente no formato de cunha ou coxim. Exemplos incluem a sínfise púbica e os discos intervertebrais.

Sincondroses – Essas articulações não permitem movimentos (sinartroses). Elas são mantidas unidas por uma rígida ponte de cartilagem hialina. Exemplos incluem a articulação entre a epífise e a diáfise (onde a placa de crescimento ósseo se encontra).

Articulações sinoviais

Essas são as articulações mais comuns do corpo. Elas são encontradas no esqueleto apendicular, por exemplo no joelho, quadril e ombro, e também no esqueleto axial, como nas articulações zigapofisárias entre as facetas de vértebras adjacentes. As articulações sinoviais são definidas pela presença de membranas sinoviais, preenchidas por fluido, revestindo a cavidade articular, que se encontra entre as superfícies ósseas articulares. Todas as articulações sinoviais são chamadas de diartroses, uma vez que elas se movem livremente em múltiplos planos. Existem vários tipos de articulações sinoviais:

Articulações planas

As articulações planas são aquelas nas quais as superfícies dos ossos deslizam uma sobre a outra, como ocorre nas articulações intercarpais da região do punho. Elas são uniaxiais, uma vez que elas só se movem em um plano, realizando um movimento linear.

Articulações em dobradiça

As articulações em dobradiça são articulações uniaxiais que permitem um movimento angular em um único plano, como flexão e extensão. Nelas parte de um osso fica ao redor de parte de um outro osso, formando uma estrutura cilíndrica, como a dobradiça de uma porta. Exemplos incluem a articulação do joelho, que se forma entre os côndilos femorais e o platô tibial, e a que se forma entre o úmero e os ossos do antebraço (rádio e ulna).

Articulação do cotovelo (verde) - vista posterior

Articulações em pivô

As articulações em pivô também são articulações uniaxiais, entretanto, elas permitem movimentos rotacionais. Elas são formadas por uma parte circular de um osso que roda no interior de um ligamento de outro. Um exemplo é a articulação atlantoaxial, entre o atlas (C1) e o áxis (C2), que permite a rotação da nossa cabeça.

Articulação atlantoaxial (verde) - vista posterior

Articulações condilares

As articulações condilares são formadas por uma superfície articular oval que se encontra dentro de uma depressão na superfície articular oposta. A diferença entre elas e as articulações esferoides (discutidas mais à frente) é a forma das suas superfícies articulares. Nas articulações condilares as superfícies articulares são ovais, e não esféricas. Essas são articulações biaxiais que produzem um movimento angular, uma vez que são capazes de flexionar e estender, bem como abduzir e aduzir. A articulação radiocarpal, entre o rádio e o escafóide, é um exemplo.

Articulação radiocarpal (verde) - vista anterior

Articulações selares

As articulações selares são formadas entre superfícies articulares convexas e côncavas. Um exemplo é a primeira articulação carpometacarpal, entre o trapézio e o osso metacarpal do polegar, que permite a oposição do polegar. Essas articulações criam movimentos angulares em diversos planos e são biaxiais.

Articulação carpometacarpal do polegar (verde) - vista anterior

Articulações esferoides

As articulações esferoides, também conhecidas como articulações em bola e soquete são caracterizadas por uma cabeça óssea com formato esférico no interior de uma cavidade esférica. Exemplos incluem a articulação do quadril e do ombro. A articulação do ombro, entretanto, é um pouco mais complexa que a articulação do quadril, e será discutida mais adiante. Essas articulações são multiaxiais, o que significa que elas podem se mover em todas as direções e criar movimentos angulares que incluem a circundução e a rotação.

Antes de prosseguir e conhecer todos os ossos do corpo humano, se quiser uma visão geral sobre o sistema esquelético, não deixe de verificar a unidade de estudos abaixo:

Esqueleto axial

Crânio

O crânio é formado por vários ossos planos, que se unem através de articulações em sutura. Juntos eles formam a porção óssea da cavidade craniana, que protege importantes estruturas, como o cérebro e o cerebelo.

Osso frontal

O osso frontal forma a parte anterior da superfície do crânio, bem como a parte superior da parte óssea do nariz. Ele recobre o lobo frontal do cérebro e contém o seio paranasal frontal, que, em casos de infecções, pode se tornar preenchido por fluido. O osso frontal forma ainda o assoalho da fossa anterior do crânio, na qual o lobo frontal do cérebro repousa.

Osso frontal (verde) - vista anterior

Ossos temporais

Os ossos temporais são pares (lados direito e esquerdo), revestem os lobos temporais do cérebro e possuem duas partes. A parte escamosa forma a superfície externa do crânio e a parte petrosa abriga o nervo vestibulococlear e seus ramos. Estes ossos formam ainda os dois terços posteriores do assoalho da fossa média do crânio, bem como a superfície anterior da sua fossa posterior. O nervo vestibulococlear deixa a calota craniana através do meato acústico interno, uma pequena abertura que também dá passagem para o nervo facial. A parte escamosa do osso temporal forma a superfície lateral e inferior do crânio e contribui com um processo para o arco zigomático.

Osso temporal (verde) - vista lateral esquerda

Ossos parietais

Os ossos parietais  também são pares formam a superfície superolateral do crânio, estando posteriormente ao osso frontal. Estes ossos recobrem os lobos parietais do cérebro. 

Osso parietal (verde) – vista lateral esquerda

A videoaula a seguir vai te permitir uma pausa na leitura enquanto você continua aprendendo.

Osso occipital

O osso occipital forma a superfície mais posterior do crânio e recobre o lobo occipital do cérebro. O cerebelo também se encontra na fossa do cerebelo, presente nesse osso. Nele também encontramos o forame magno, que permite a comunicação entre o encéfalo e a medula. O osso occipital possui ainda os côndilos occipitais que se projetam de sua superfície inferior e se articulam com o atlas (C1). Na sua superfície mais posterior estão as linhas nucais suprema, superior e inferior, locais onde as camadas dos músculos que movem o pescoço e o dorso se inserem.

Osso occipital (verde) - vista inferior

Osso esfenoide

O osso esfenoide se parece com uma borboleta quando é visto de cima e é dividido em corpo, asas maiores e asas menores. Suas asas maiores formam o assoalho da fossa média do crânio, enquanto suas asas menores formam a região mais posterior da fossa anterior do crânio. No seu corpo encontramos a glândula hipófise, sobre a sela túrcica.O osso possui muitos forames, que permitem que vários nervos cranianos deixem a cavidade craniana e inervem os olhos e a face. O osso esfenoide também contribui para a superfície lateral do crânio através de sua asa maior. Ele se articula com o osso frontal anteriormente, o osso temporal posteriormente, o osso parietal através da borda lateral de suas asas maiores e com o clivus, a projeção anterior e superior do osso occipital, sobre o qual são encontradas o tronco cerebral e a artéria basilar.

Osso esfenoide (verde) – vista superior

Aprenda mais sobre o osso esfenoide fazendo teste a seguir:

Osso etmoide

O osso etmoide forma a parte mediana mais anterior da fossa anterior do crânio. Ele possui numerosas perfurações em sua superfície, que permite a passagem de fibras do nervo olfatório (1° par craniano) para o interior da cavidade craniana. A placa perpendicular do osso etmoide forma a parte superior do septo nasal ósseo, com o vômer formando a parte posteroinferior. A cartilagem septal forma a porção cartilaginosa do septo, anteriormente.

Osso etmoide (verde) - vista superior

Quer mais um teste? Experimente esse sobre o osso etmoide:

Ossículos auditivos

Os ossículos auditivos (martelo, bigorna e estribo) são encontrados no ouvido médio e são os menores ossos do corpo. A membrana timpânica forma a barreira entre o ouvido externo e o ouvido médio. Os sons causam a vibração da membrana timpânica, que por sua vez movimenta esses três ossículos, que assim transmitem a energia cinética. O estribo se articula com a janela oval através de sua base, e gera uma transmissão eletroquímica do som através da mudança de pressão do ouvido interno.

Está com dificuldade em aprender todos os ossos do corpo humano? Comece com a nossa apostila de exercícios gratuita sobre o sistema esquelético.

Anatomia de superfície

A superfície lateral do crânio possui um ponto conhecido como ptério, onde quatro ossos do crânio se encontram (esfenoide, tempoal, frontal e parietal). Esse ponto fica no tajeto da divisão anterior da artéria meníngea média.

A protuberância occipital é um ponto facilmente palpável na superfície posterior do osso occipital.

Protuberância occipital externa (verde) - vista posterior

Face

Mandíbula

A parte óssea inferior da boca é chamada de mandíbula. O côndilo mandibular se articula com a face articular do osso temporal. A articulação temporomandibular (ATM) é capaz de protrair e retrair, bem como elevar e deprimir a mandíbula. A ATM é a única articulação sinovial encontrada no crânio. O ramo da mandíbula é a parte inferior ao côndilo, e forma sua borda posterior. O ângulo é onde a “quina” da mandíbula se encontra, e o corpo é a mandíbula em si, onde se prendem os dentes. O forame mandibular é uma abertura na superfície interna do ramo, que permite a entrada do ramo alveolar inferior do nervo mandibular (um ramo do nervo trigêmeo), para inervar os dentes da arcada inferior.

Corpo da mandíbula (verde) - vista anterior

Maxila

A parte óssea superior da boca é conhecida como maxila. A maxila contém um seio paranasal, que reduz o peso do osso e possui um papel na formação do som. A maxila se articula com os ossos nasais na margem lateral do septo nasal ósseo e com o osso zigomático na sua margem lateral.

Maxila (verde) – vista anterior

Osso zigomático

O osso zigomático forma uma articulação com o processo zigomático do osso temporal para formar a parte inferior do arco zigomático. A parte superior do arco é formada pelo processo zigomático do osso frontal.

Osso zigomático (verde) – vista anterior

Ossos nasais

Os ossos nasais formam as estruturas ósseas da parte proximal do nariz, e os ossos frontais se fundem a eles superiormente. Os ossos nasais direito e esquerdo se fundem na linha média, formando a glabela.

Osso nasal (verde) – vista anterior

Ossos lacrimais

Os ossos lacrimais são pequenos ossos que contribuem para a parte inferomedial do assoalho da parte óssea da órbita

Osso lacrimal (verde) - vista anterior

Dentes

Os dentes formam uma articulação em gonfose com a maxila e a mandíbula. Um adulto possui 32 dentes: 8 incisivos (quatro na arcada superior e quatro na arcada inferior), 4 caninos (dois em cada arcada), 8 pré-molares (quatro em cada arcada) e 12 molares (6 em cada arcada – incluindo o dente siso). Eles são facilmente localizados e todos possuem funções definidas. Os incisivos cortam e fatiam os alimentos. Os caninos destroem e rompem a comida, e os pré-molares e molares amassam os alimentos.

Osso hioide

O osso hioide é um osso que se encontra na região cervical, superiormente à cartilagem tireoide. Ele é especial no sentido de que não possui ligações ósseas, mas suporta a via aérea superior.

Osso hioide (verde) - vista anterior

Consolide seus conhecimentos sobre os ossos do crânio com o teste abaixo:

Coluna vertebral

Existem sete vértebras cervicais, doze vértebras torácicas e cinco vértebras lombares. A coluna vertebral inclui ainda o sacro, que é tipicamente formado por cinco vértebras fundidas e o cóccix, usualmente formado por três ou mais vértebras fundidas. Cada grupo de vértebras é único em sua anatomia, e assim se adapta às suas funções.

Coluna vertebral (verde) - vista anterior

Vértebras cervicais

As sete vértebras cervicais são as menores. A primeira e a segunda vértebras cervicais são únicas em sua anatomia, uma vez que elas se articulam com o crânio e estabilizam a cabeça. A vértebra C1 é conhecido como atlas (titã grego que segura os céus). A vértebra possui grandes processos articulares que formam articulações com os côndilos occipitais. Ela não possui um corpo, mas sim um formato de anel. A vértebra C2 é conhecida como áxis, e possui superfícies articulares que formam as articulações zigoapofisárias com as facetas inferiores do atlas. Essa vértebra pode ser facilmente identificada pela presença do processo odontóide, uma projeção superior que permite que o axis seja mantido próximo ao atlas, permitindo movimentos rotacionais. Os movimentos de aceno (fazer que “sim” ou que “não” com a cabeça) ocorrem na articulação atlanto-occipital.

Vértebras cervicais (verde) - vista posterior

As cinco vértebras cervicais restantes são bastante semelhantes em sua estrutura. Todas possuem facetas articulares horizontais e são empilhadas como moedas. Isso significa que elas são inerentemente instáveis, por isso são conhecidas como articulações uncovertebrais. Essas possuem picos ósseos na superfície lateral de seus corpos vertebrais que estabilizam a porção cervical da medula espinhal. Um fato marcante é que a vértebra C7 possui um processo espinhoso proeminente de fácil palpação. O processo espinhoso das vértebras cervicais é bífido. Além disso todas as vértebras cervicais possuem forames em seus processos transversos, que são chamados simplesmente de forames transversos. A artéria vertebral sobe através destes forames e entra ao nível de C6. As veias vertebrais também passam nestes forames.

A coluna cervical possui um grande grau de mobilidade, incluindo flexão, extensão, flexão lateral e rotação. Veja mais informações sobre a coluna cervical e as vértebras cervicais abaixo:

Vértebras torácicas

As doze vértebras torácicas possuem corpos vertebrais com formato de coração e seus processos espinhosos são direcionados inferiormente. Os processos transversos se articulam com o colo de cada uma das costelas. O canal vertebral se torna progressivamente mais estreito na coluna vertebral, a medida que caminhamos inferiormente, já que os nervos espinhais gradualmente deixam o canal para inervar os membros e o tronco. As articulações interapofisárias possuem orientação vertical, o que limita o movimento anteroposterior de uma vértebra em relação à outra.

Vértebras torácicas (verde) - vista posterior

Vértebras lombares

As vértebras lombares possuem grandes corpos vertebrais em forma de feijão, com pedículos e processos espinhosos curtos e espessos. As articulações interapofisárias conectam-se umas às outras em uma configuração horizontal, o que permite que a região lombar possua um maior grau de flexibilidade, incluindo flexão, extensão e rotação.

Entre cada vértebra da coluna vertebral, forames intervertebrais podem ser encontrados. São através deles que os nervos espinhais mistos deixam o canal vertebral.

Vértebras lombares (verde) - vista posterior

Aprenda mais sobre as colunas torácica e lombar:

Agora teste seus conhecimentos sobre os ossos da coluna vertebral:

Costelas

Existem sete costelas verdadeiras, três costelas falsas e duas costelas flutuantes. Todas elas formam articulações costovertebrais com as vértebras torácicas. As costelas verdadeiras são assim nomeadas porque formam uma articulação direta com o esterno anteriormente, enquanto as costelas falsas se conectam com ele por meio de uma cartilagem costal. Já as costelas flutuantes não formam nenhuma conexão anteriormente.

Costelas verdadeiras (verde) - vista posterior

Posteriormente as costelas formam articulações costovertebrais com as vértebras torácicas, que são constituídas por uma faceta articular que se articula com a margem entre duas vértebras torácicas adjacentes e outra articulação entre o colo da costela e o processo transverso da vértebra torácica. Essas articulações realizam um movimento em alça de balde, permitindo a expansão dos pulmões durante os mecanismos respiratórios.

Para aprender mais sobre as costelas e aprofundar os seus conhecimentos, veja os recursos disponíveis abaixo:

Esqueleto apendicular

Membro superior

Região escapular

A escápula é um osso com formato triangular que se encontra na superfície posterior da parede torácica.

A cavidade glenoidal projeta-se da superfície superolateral da escápula e se articula com a cabeça do úmero. Ela se aprofunda no lábio glenoidal, um anel cartilaginoso que também produz um efeito de sucção na articulação. A articulação glenoumeral é uma articulação altamente móvel, mas também instável. Apesar de ser do tipo esferoide, a cavidade glenoidal (o soquete) é rasa como um prato. A cabeça do úmero também é semi-esférica, e possui pouco suporte ósseo. Isso é contrabalançado pelos músculos do manguito rotador, constituído por quatro músculos (supraespinal, infraespinal, redondo menor e subescapular). Os músculos do manguito rotador envolvem a cabeça do úmero e mantêm a cavidade glenoidal em seu lugar. Além disso, os ligamentos glenoumerais fornecem suporte ligamentar significativo. O tendão da cabeça longa do bíceps também fornece suporte inferior durante a rotação externa do ombro. A escápula possui uma fossa supraespinal e uma fossa infraespinal, separadas pela espinha da escápula, que são os pontos de origem dos músculos supraespinal e infraespinal, respectivamente. O nó supraescapular é um pequeno nó encontrado na margem superior da fossa supraespinhal. O nervo supraescapular passa nesse espaço, e a artéria supraescapular passa acima dele.

Escápula (verde) - vista posterior

Clavícula

A clavícula se articula com o manúbrio do esterno medialmente através de sua superfície medial arredondada. Lateralmente sua superfície plana se articula com o acrômio da escápula. O osso possui formato de “S” e se encontra superficialmente sob a pele. A articulação esternoclavicular é uma articulação sinovial em sela e a articulação acromioclavicular é uma articulação sinovial deslizante.

Úmero

O úmero se articula com a cavidade glenoidal na articulação glenoumeral, ou seja, a articulação do ombro. Ele possui um colo anatômico (diretamente abaixo da cabeça do úmero) e um colo cirúrgico (a porção inicial do eixo superior, abaixo dos tubérculos). O eixo é a parte longa do osso e possui duas superfícies articulares em sua porção distal, a tróclea e o capítulo, que se articulam com a ulna e o rádio, respectivamente. O úmero também possui um sulco espiral no qual cursa o nervo radial. Devido à sua anatomia, fraturas umerais podem resultar em paralisia do nervo radial, causando queda do punho.

Úmero (verde) – vista posterior

Antebraço

Essa região é formada pelo rádio e pela ulna. A cabeça do rádio se encontra proximalmente, e fica dentro do ligamento anular, que se liga à ulna acima do ligamento quadrado. A cabeça do rádio se articula com o capítulo do úmero. A base do rádio é larga e forma o componente rádio-escafo-lunar da articulação do punho.

A ulna tem uma grande parte proximal, que possui a incisura troclear, com a qual a tróclea do úmero se articula. A parte posterior da ulna possui um grande processo, o olécrano, também conhecido como cotovelo. O nervo ulnar cursa posteriormente ao epicôndilo medial, que se projeta da superfície medial do úmero. Se você bater essa região do cotovelo, ele envia uma sensação de formigamento ao longo do antebraço. O rádio e a ulna são conectados ao longo de seus eixos por uma forte membrana interóssea, que é perfurada por vasos. Eles possuem os processos estiloides radial e ulnar na superfície lateral de suas partes distais.

Punho

Os ossos do carpo formam a base óssea da região do punho. Eles são melhor compreendidos dividindo-os em linhas. A linha proximal é formada pelo semilunar, que se articula com a parte medial da superfície articular do rádio distal; o piramidal, que se articula com o complexo fibrocartilaginoso triangular e indiretamente com a superfície articular distal da ulna; o pisiforme, osso sesamoide (encontra-se dentro de um tendão) em forma de ervilha, que fica acima do piramidal e dentro do tendão do flexor ulnar do carpo e o escafóide, que se articula com o rádio distal e conecta as linhas proximal e distal do carpo.

A linha distal é formada pelo trapézio, que se articula com o primeiro metacarpo (trapézio com o polegar); o trapezóide, um osso menor do carpo que se articula com o segundo metacarpo; O capitato, que se articula com o terceiro metacarpo (pense no capitato como uma capital fundada no centro do país); o hamato, que possui um gancho proeminente e forma articulações com o quarto e o quinto metacarpos.

A articulação do punho é formada entre a superfície articular distal do rádio e os ossos escafóide e semilunar do carpo. A superfície articular distal da ulna também se articula com o piramidal, através do complexo fibrocartilaginoso triangular.

Mão

A mão é formada pelos metacarpos e falanges. É uma estrutura complexa com vários ossos pequenos interconectados. Os metacarpos conectam os ossos do carpo às falanges. 

As falanges são divididas em proximal, média e distal, e se tornam progressivamente menores, quanto mais se avança para a região distal. O polegar só possui as falanges proximal e distal, e forma uma articulação em sela biconvexa com o trapézio, através de seu metacarpo. É a combinação dessa articulação e os nossos polegares alongados que nos permitem opor o polegar e assim realizar tarefas complexas com as nossas mãos.

Anatomia de superfície

A clavícula possui um curso subcutâneo e é facilmente palpável. O esterno encontra-se na linha média do tórax e também é facilmente palpável.

Os processos estiloides do rádio e da ulna podem ser encontrados próximos à articulação do punho.

A superfície posterior do rádio é onde encontramos o tubérculo dorsal de Lister. O extensor longo do polegar envolve esse marco.

O olécrano surge da superfície posterior da ulna e é o ponto de inserção do tríceps braquial.

Não deixe de testar os seus conhecimentos recém-adquiridos sobre os ossos do membro superior.

Membro inferior

Pelve

O sacro se articula com o corpo da vértebra L5, que possui forma de cunha, e também com os processos articulares sacrais. Isso reduz a pressão nesse nível da coluna vertebral. Existem fortes ligamentos, como o sacroespinhal, sacrotuberoso e iliolombar, que fornecem suporte para a anatomia óssea. O sacro encontra-se na linha média, assim como a margem posterior da abertura pélvica superior. O sacro possui asas e forames sacrais, que permitem que os nervos espinhais sacrais deixem o canal vertebral, dois de cada vez.

A pelve é um osso único formado por três ossos separados: o ílio, o ísquio e o púbis. Os três ossos se unem no acetábulo. O ílio possui uma grande crista que forma as bordas superiores da falsa pelve. Marcos anatômicos notáveis no ílio incluem a espinha ilíaca anterosuperior (EIAS), na qual o ligamento inguinal se prende, e a espinha ilíaca anteroinferior (EIAI) que é encontrada abaixo da EIAS, e é onde o músculo reto femoral se insere.

O ísquio é o mais inferior dos três ossos, e possui tuberosidades proeminentes em sua superfície inferior. É onde os músculos da parte posterior da coxa se inserem, e é a superfície sobre a qual sentamos. As espinhas isquiáticas são encontradas superiormente às tuberosidades e formam o ponto de inserção do ligamento sacroespinal. Esse ligamento divide o forame isquiático, formando os forames isquiáticos maior e menor. O ligamento sacrotuberal, que cursa do sacro para a tuberosidade do ísquio, forma a a margem inferior do forame isquiático.

O púbis é o osso anterior da pelve e a articulação mediana entre os ossos direito e esquerdo é chamada de sínfise púbica. O tubérculo púbico é encontrado lateralmente à essa articulação e é onde o ligamento inguinal se liga, medialmente. O púbis possui um ramo superior e um inferior de cada lado, separados pelo forame obturado, através do qual o nervo obturatório deixa a pelve para inervar o compartimento medial da coxa.

Quadril

A articulação do quadril é uma articulação do tipo esferoide, e é formada pela cabeça do fêmur e pelo acetábulo. É uma articulação profunda reforçada pelo lábio do acetábulo e por fortes ligamentos, como o iliofemoral, isquiofemoral e pubofemoral. O iliofemoral é o mais forte ligamento do corpo humano.

Articulação do quadril (verde) - vista lateral direita

Coxa

A coxa é a região proximal da perna e sua base óssea é o fêmur. O fêmur é um osso longo que forma dois côndilos distalmente, que se articulam com o platô tibial. O eixo do osso é angulado inferomedialmente, formando um ângulo chamado de ângulo Q. A superfície lateral do eixo superior do fêmur possui o trocanter maior, local de inserção dos rotadores externos curtos do quadril. O trocanter menor se projeta da superfície medial do eixo do osso, inferiormente ao trocanter maior, e é o local de inserção do músculo iliopsoas. A superfície posterior da diáfise femoral dá origem à linha áspera, local de inserção dos músculos vastos lateral e medial.

Fémur (verde) - vista posterior

O côndilo medial é mais arredondado e se projeta mais para fora. Os côndilos se encontram sobre o menisco medial, que possui forma de “C”, e o menisco lateral, mais arredondado. Os meniscos agem como um amortecedor para o fêmur e melhoram a congruência da articulação. A patela é um osso sesamoide, que fica anteriormente no joelho. Ela protege a articulação do joelho e melhora a ação do quadríceps na perna para causar a extensão do joelho.

Aprofunde mais os seus conhecimentos sobre a pelve e o fêmur:

Perna

A perna é a parte distal do membro inferior, e é formada pela tíbia medialmente e pela fíbula lateralmente. A tíbia é o osso que forma a articulação do joelho com o fêmur, e a fíbula  se liga à tíbia através das articulações tibiofibulares proximais. Os ossos estão conectados ao longo de seu comprimento por uma forte membrana interóssea, que é perfurada por vasos. O platô tibial é o termo dado para sua superfície articular superior, e é dividido na linha média por uma eminência intercondilar. O ligamento cruzado anterior se insere logo anterior à eminência, e cursa superiormente em um sentido diagonal para se inserir na superfície medial do côndilo femoral lateral. O ligamento cruzado posterior surge da superfície medial do côndilo medial, posteriormente, e se insere no aspecto posterior da parte superior da tíbia.

O possui numerosos ossos. O calcanhar é formado pelo calcâneo . A articulação do tornozelo é formada pelas superfícies articulares distais da tíbia, superfície medial da fíbula e tálus.

O osso cubóide se encontra lateralmente, enquanto o navicular, medialmente, ambos anteriores ao tálus. Mais anteriormente encontramos os cuneiformes, que são três: medial, intermédio e lateral. Estes se articulam com o primeiro, segundo e terceiro metatarsos. O cubóide articula com o quarto e quinto metatarsos. Os metatarsos se articulam com as falanges proximais, que se articulam com as falanges médias, que, por sua vez, se articulam com as falanges distais. O hálux possui somente duas falanges. A base do quinto metatarso é proeminente e se projeta posterior e lateralmente. Ela é facilmente palpada ao longo do meio da borda lateral do pé.

Agora que você já estudou os ossos do membro inferior, que tal testar seus conhecimentos?

Anatomia de superfície

O maléolo medial (parte medial do tornozelo) é uma projeção arredondadana porção distal da tíbia. O maléolo lateral (parte lateral do tornozelo) é uma projeção arredondada na porção distal da fíbula.

O trocanter maior é palpável como uma projeção do eixo superior do fêmur.

A espinha ilíaca anterior superior (EIAS) é a origem do ligamento inguinal, e o tubérculo púbico é seu ponto de inserção. A artéria femoral é encontrada um centímetro abaixo do ponto médio desse ligamento. O anel profundo é encontrado no ponto médio do ligamento, logo acima da artéria.

A cabeça da fíbula é o ponto de inserção do bíceps femoral. O nervo fibular comum envolve o colo da fíbula, e uma compressão neste local pode resultar no "pé caído".

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